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        <title><![CDATA[BÁRBARA SEABRA]]></title>
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        <description><![CDATA[Noticiar - BÁRBARA SEABRA]]></description>
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                    <dc:rights><![CDATA[Copyright© 2026 Noticiar: Portal de notícias do GuiaBom.com - Todos os direitos reservados.]]></dc:rights>
        
                        <item>
                    <title><![CDATA[TRAVESSO TRAVESSÃO ]]></title>

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                    <description><![CDATA[O uso da IA e as mudanças na escrita. Será que devemos abrir mão do travessão?]]></description>

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                    <pubDate>Sun, 27 Sep 2026 20:44:06 -0300</pubDate>

                    <dc:creator><![CDATA[BÁRBARA SEABRA]]></dc:creator>

                    
                                            <content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><span>Tem livros que lemos mais de uma vez. Seja porque nos apaixonamos por ele, como O Pequeno Príncipe. Seja para curtir a saudade, como a saga de Harry Potter. Seja para entender melhor, como Três ensaios sobre a sexualidade, de Freud. Encanto-me com as novas descobertas que me surpreendem quando releio o Pequeno Príncipe. Será que nunca observei aquela passagem ou eu mudei mais uma vez? Em Freud vejo a construção de teorias que ele tentava corrigir e recorrigir, buscando uma perfeição que não encontrou. Então, ele diz e repensa partes de suas teorias e seus textos são cheios de notas de rodapé, mostrando como ele retornava para melhorar. </span></p>
<p dir="ltr"><span>Entretanto…</span></p>
<p dir="ltr"><span>Entretanto, não são as notas de rodapé que me atraem neste momento, mas sim o uso de travessão. Muitos deles. Aqueles pares separando destemidamente um trecho do texto, dando explicação mais profunda, questionando ou delimitando uma ideia.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Penso imediatamente na IA. A Inteligência Artificial nos roubou muito em relação à escrita. Escuto pessoas indignadas que receberam mensagens de parabéns feitas por IA. Perdemos espontaneidade! Vejo professores militando contra o uso de IA nos trabalhos acadêmicos. Perdemos o raciocínio lógico! Percebo em mim o incômodo em aguardar o aplicativo rodando meu artigo científico para dizer se estava livre do uso da IA. Perdemos a coragem de escrever bem sem sermos rotulados de que foi a IA! </span></p>
<p dir="ltr"><span>Porém, o que me incomoda mais nisso tudo é perder a oportunidade de usar o travessão!</span></p>
<p dir="ltr"><span>Parece que o travessão virou sinônimo de IA e não é verdade. Tem coisa mais gostosa do que você dialogar com o leitor e entre um tracinho e outro explicar seu ponto de vista? Fazer uma pausa na longa frase e explicar se discorda ou não daquilo que foi previamente exposto? Enfatizar uma ideia dando um momento de reflexão para quem lê?</span></p>
<p dir="ltr"><span>Olhei para aquele texto de Freud e pensei em como ele foi feliz em escrever num período onde os julgamentos eram outros e onde o travessão era apenas uma ferramenta de estilo e genialidade - e muito usada! </span></p>
<p dir="ltr"><span>Bárbara Seabra </span></p>
<p dir="ltr"><span>Autora de “O diário de uma gordinha” e “A janela do isolamento”</span></p>
<p dir="ltr"><span>Escritora</span></p>
<p></p>]]></content:encoded>
                                    </item>
                            <item>
                    <title><![CDATA[Santinhos]]></title>

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                    <description><![CDATA[O período eleitoral e as mudanças climáticas e estéticas da cidade.]]></description>

                    
                    <pubDate>Mon, 14 Sep 2026 18:10:20 -0300</pubDate>

                    <dc:creator><![CDATA[BÁRBARA SEABRA]]></dc:creator>

                    
                                            <content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><span>Lembro de chegar em algumas igrejas e próximo à porta ter uma mesinha repleta de santinhos. De um lado a imagem do Santo ou da Santa de devoção e do outro a sua oração. Geralmente eram deixados ali por pessoas que haviam feito promessas e conseguido obter suas graças. Um parente curado. A conquista da casa própria. A aprovação no vestibular. </span></p>
<p dir="ltr"><span>Lembro também dos santinhos das missas de sétimo ou de trigésimo dias. A foto do falecido e uma frase para homenageá-lo. Estes foram substituídos por camisetas com fotos do finado e que, perdoem-me a sinceridade, não acho legal. Uma vez recebi mensagem de um viúvo perguntando os tamanhos de nossas camisetas e dando a conta para transferirmos o dinheiro. Todos na missa de sétimo dia estavam com a camiseta com uma foto da pessoa amada, mas eu me senti extremamente incomodada com aquilo. Primeiro, eu não queria uma camisa com a foto dela. Queria as fotos que tínhamos e me era suficiente. Segundo, porque nem fui questionada se queria comprar. E, terceiro, o que fazer com a camiseta após a missa? Eu não queria dormir vestida com ela. Não iria para a academia. Não iria ao shopping. E não poderia dar a um morador de rua. Então, foi uma experiência que não gostei, para dizer o mínimo. Preferia ter recebido um santinho… </span></p>
<p dir="ltr"><span>Da mesma forma que o vestibular não existe mais, os santinhos dos Santos sumiram das igrejas. E até o santinho dos falecidos também não vi mais. Até…</span></p>
<p dir="ltr"><span>Até estarmos novamente em período eleitoral! Os cruzamentos da cidade são tomados agora por pessoas distribuindo os santinhos dos candidatos. Com excesso de harmonização facial ou Photoshop (ou mesmo os dois!), até os candidatos 70+ têm o mesmo rostinho lisinho dos candidatos de 20 anos. E é um tal de baterem nas janelas dos carros para entregar os santinhos… </span></p>
<p dir="ltr"><span>Isso começa logo cedo, junto com as bandeirolas presas aos canteiros que parecem brotar no gramado junto com o nascer do sol. Passei por um cruzamento que parecia um festival junino de tanta bandeirola de candidato que tinha.  E eu só conseguia observar os nomes e suas escritas “diferentes” ou mesmo o excesso de descaracterização das fotos pelo uso do Photoshop.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Será que alguém conquista algum voto assim?</span></p>
<p dir="ltr"><span>Tenho minhas dúvidas. O que sei é que não vejo a hora deste período terminar e a cidade ficar mais limpa.</span></p>
<p dir="ltr"><span>E sei também que acho extremamente irônico os políticos distribuírem seus santinhos…</span></p>
<p dir="ltr"><span>Santinhos?</span></p>
<p><b><br><br></b></p>
<p dir="ltr"><span>Bárbara Seabra </span></p>
<p dir="ltr"><span>Escritora e autora de “O diário de uma gordinha” e “A janela do isolamento”</span></p>
<p></p>]]></content:encoded>
                                    </item>
                            <item>
                    <title><![CDATA[ZÍPER]]></title>

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                    <description><![CDATA[Uma mulher.  Um vestido verde. O passar dos anos. A gentileza com seu corpo.]]></description>

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                    <pubDate>Mon, 07 Sep 2026 18:27:54 -0300</pubDate>

                    <dc:creator><![CDATA[BÁRBARA SEABRA]]></dc:creator>

                    
                                            <content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><span>Empurro a porta de vidro e o ar mais frio da loja me abraça. Decido passar um tempo ali fugindo do calor. Olho as araras repletas de roupas em diferentes cores e começo a vaguear por entre elas. Passo os dedos pelos tecidos. Ásperos, sedosos, macios, rígidos. Uma peça me chama atenção. Um vestido verde. Sem detalhes. Sóbrio. Pego-o no colo e o abraço para sentir se me aconchega. Parece que sim.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Continuo andando pela loja enquanto observo discretamente uma criança brigar com a mãe, pois queria tomar sorvete. Esqueço-me de mim um pouco. Paro diante da vitrine de bolsas e questiono se preciso de mais uma. Fico parada não sei por quanto tempo até que uma voz me convida à realidade:</span></p>
<p dir="ltr" role="presentation"><span>- Vai experimentar?</span></p>
<p dir="ltr"><span>Sem graça, digo que sim. Esqueci-me que o vestido estava em minhas mãos.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Entro no provador. Começo a tirar lentamente as minhas roupas. Vejo uma cicatriz perto do umbigo. Outra na altura da cintura.  Cirurgias passadas… Demoro-me olhando meu corpo como se o visse pela primeira vez. Seria tão rígida nas exigências com ele se fosse de outra pessoa? Seria mais gentil com suas marcas, seus sinais, a perda de firmeza da pele causada pelo passar dos anos? A luz amarela do provador começa a aquecer minha pele. Lembro que isso é um mito. Por que sinto esse calor então?</span></p>
<p dir="ltr"><span>Talvez por ter me visto pela primeira vez em tanto tempo. Talvez por ter lutado em me aceitar como sou. </span></p>
<p dir="ltr"><span>Visto o vestido verde e percebo que ele tem um zíper enorme nas costas. Não consigo fechar sozinha. Contorço-me para um lado. Contorço-me para o outro lado. Está quase lá, mas ainda faltam três ou quatro centímetros.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Saio do provador e encontro outra cliente. Peço-lhe gentilmente que me ajude nessa empreitada. Ela sorri, fecha o vestido e diz que ele foi feito para mim. Permiti-me acreditar nela. Retribuo o sorriso e volto ao provador para me olhar com a gentileza que esta estranha me viu. Passo no caixa, faço o pagamento. Trago-o para casa. Penduro em um cabide e o esqueço por semanas.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Então, em um domingo, após um banho demorado, hidratante no corpo e o cabelo molhado, encontro-o dobradinho. Decido usá-lo.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Visto-o e, mais uma vez, percebo que me contorço para fechar o zíper sozinha. Esforço em vão. Termino de passar um lápis preto nos olhos. Coloco um anel, brincos grandes e borrifo o perfume preferido nos pulsos e no pescoço. Vou até a sala e peço ao meu esposo para fechar o zíper.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Ele me olha com os mesmos olhos do início do relacionamento e diz:</span></p>
<p dir="ltr" role="presentation"><span>- Você está linda.</span></p>
<p dir="ltr"><span>E assim percebo que as marcas de que tanto reclamo fazem parte de quem sou. E o vestido verde me ensinou a aceitar que não preciso, e nem devo!, dar conta de tudo sozinha. </span></p>
<p dir="ltr"><span></span></p>
<p dir="ltr"><span>Bárbara Seabra </span></p>
<p dir="ltr"><span>Escritora e autora de “O diário de uma gordinha” e “A janela do isolamento”</span></p>
<p></p>]]></content:encoded>
                                    </item>
                            <item>
                    <title><![CDATA[MAGRA E SAUDÁVEL?]]></title>

                    <link>https://noticiar.com.br/magra-e-saudavel</link>
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                    <description><![CDATA[A discussão sobre peso e saúde precisa repercutir no nosso dia a dia de forma saudável. Porque nem toda magreza é sinônimo de saúde e parece que não queremos ver isso.]]></description>

                    
                    <pubDate>Tue, 25 Aug 2026 18:10:56 -0300</pubDate>

                    <dc:creator><![CDATA[BÁRBARA SEABRA]]></dc:creator>

                    
                                            <content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><span>Vira e mexe retorno a esse tema. E parece que sempre temos algo a mais a falar. Escrevi o livro O DIÁRIO DE UMA GORDINHA num momento que o peso se tornou um grande problema para mim. De lá para cá isso aconteceu mais algumas vezes, trazendo sofrimento. Sofrimento físico e psíquico!  </span></p>
<p dir="ltr"><span>Porque vamos ser honestos, existe um preconceito enorme com pessoas gordas. </span></p>
<p dir="ltr"><span>- São preguiçosas! Se fizessem exercício… </span></p>
<p dir="ltr"><span>- São gulosas! Se parassem de comer tanto… </span></p>
<p dir="ltr"><span>São tantos e tantos comentários que você se pega acreditando nisso tudo. Você é preguiçosa e gulosa. Sua culpa. Não emagrece porque não quer.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Será?</span></p>
<p dir="ltr"><span>Tivemos um período - curto! - onde se procurou falar sobre o </span><span>body positive</span><span>, um movimento de aceitação de todos os corpos. Sonho, né? Você ter o direito de ser magra ou gorda, branca ou preta, baixa ou alta, ter cabelo liso ou encaracolado e NINGUÉM te criticar? </span></p>
<p dir="ltr"><span>Pura ilusão!</span></p>
<p dir="ltr"><span>O movimento não tem força suficiente para se manter. Porque o corpo ideal está aí, o tempo todo sendo mostrado para nós e, o pior, cobrado que sejamos assim. Basta dois minutos no Instagram. Basta uma olhada nos sites de notícias. Basta ouvir uma conversa na sala de espera dos médicos. </span></p>
<p dir="ltr"><span>O corpo ideal é sinônimo de sucesso. O que me faz pensar em duas coisas: o que é ideal e o que é sucesso? O ideal é algo perfeito, mas, como o próprio nome diz, fica no campo das ideias. Não tem como ser real! E o sucesso? Sucesso significa avanço, êxito. Será que temos êxito ao adoecer alguém para que se enquadre no perfil que nos falaram ser o ideal?</span></p>
<p dir="ltr"><span>Então, magreza não é sinônimo de ser saudável. Porque saúde, ao contrário do que o senso comum pensa, que seria o oposto de doença, é um estado de bem-estar físico, mental e social. A magreza forçada a cada vez ir mais além na balança pode trazer benefícios mentais? </span></p>
<p dir="ltr"><span>Não pode!</span></p>
<p dir="ltr"><span>Um corpo magro pode estar extremamente adoecido físico e mentalmente. E parece que não se quer falar sobre isso…</span></p>
<p><b> </b></p>
<p dir="ltr"><span>Bárbara Seabra </span></p>
<p dir="ltr"><span>Escritora e autora de “O diário de uma gordinha” e “A janela do isolamento”</span></p>]]></content:encoded>
                                    </item>
                            <item>
                    <title><![CDATA[Qual a cultura?]]></title>

                    <link>https://noticiar.com.br/qual-a-cultura</link>
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                    <description><![CDATA[Programas gastronômicos. Confusões e apoio. Quem está certo?]]></description>

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                    <pubDate>Sun, 23 Aug 2026 21:45:00 -0300</pubDate>

                    <dc:creator><![CDATA[BÁRBARA SEABRA]]></dc:creator>

                    
                                            <content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><span> </span></p>
<p dir="ltr"><span>Desde o TOP CHEF, em meado dos anos 2000, que curto programas de culinária. Aliás, gastronomia! Hoje parece que é um sacrilégio chamar de culinária… Então, programas como Masterchef Amadores, Masterchef Profissionais, Masterchef Confeitaria ou o que inventarem, eu acompanho. </span></p>
<p dir="ltr"><span>Penso em como eu agiria diante das provas, o que pegaria no mercado, como emprataria. Mas, gosto disso no conforto do meu sofá, nunca me imaginando estar ali e pondo meus pratos sob avaliação. Já temos julgamentos suficientes!</span></p>
<p dir="ltr"><span>Este ano estou assistindo apenas por não querer largar um hábito. Candidatos grosseiros, brigas, pratos mal elaborados. Comentei sobre isso em algumas rodas de conversa e descobri que não sou a única incomodada com essa temporada. Então, fui olhar os comentários nas redes sociais. Parece geral. O que está acontecendo?</span></p>
<p dir="ltr"><span>Foi aí que comecei a comparar os dois programas que venho assistindo: Masterchef Amadores 2026 e Bake Off Brasil 2026. Os dois seguem a mesma “receita”, com duas provas e um eliminado por semana. </span></p>
<p dir="ltr"><span>Entretanto…</span></p>
<p dir="ltr"><span>Entretanto, no Masterchef existem gritos, discussões, jurados grosseiros, perguntas para inflamar os egos e causar discórdias. “Quem você quer que saia?” ou “Quem você não quer na sua equipe e por quê?” se tornaram perguntas recorrentes e trazem respostas ásperas. Virou um teatro de confusões, com muitas reviradas de olhos e poucos ou nenhum prato que eu, daqui de casa, pudesse falar “esse eu queria provar”. </span></p>
<p dir="ltr"><span>Já no Bake Off, em um dos episódios o bolo de um candidato despencou. Parecia uma cascata descendo a ladeira. Veio naturalmente o desespero e a repetição do “Eu não vou conseguir entregar”. E o que aconteceu? Outros candidatos pararam suas provas para ajudar o desnorteado confeiteiro a, ao menos, entregar um bolo gostoso e com um mínimo de decoração. Se uniram!</span></p>
<p dir="ltr"><span>Então, me pergunto se estamos numa sociedade onde culturalmente é mais aceitável detonar, destruir, tripudiar, inferiorizar, magoar os outros e, assim, o Masterchef estimula isso entre os participantes como uma forma de oferecer o entretenimento ideal para nós. Ele não seria um programa de gastronomia, mas o recorte de uma sociedade doente. A comida seria apenas um papel de fundo, sem importância.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Se for isso, precisamos rever nossos caminhos…</span></p>
<p><b><br><br></b></p>
<p dir="ltr"><span>Bárbara Seabra </span></p>
<p dir="ltr"><span>Escritora e autora de “O diário de uma gordinha” e “A janela do isolamento”</span></p>
<p><b id="docs-internal-guid-930f34a0-7fff-5f30-94e2-523f9feeb3c6"><br><br></b></p>]]></content:encoded>
                                    </item>
                            <item>
                    <title><![CDATA[A FUMANTE]]></title>

                    <link>https://noticiar.com.br/a-fumante</link>
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                    <description><![CDATA[ Uma mulher no carro. Uma mulher na calçada. Um cigarro. Muitas memórias.]]></description>

                    
                    <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 13:04:23 -0300</pubDate>

                    <dc:creator><![CDATA[BÁRBARA SEABRA]]></dc:creator>

                    
                                            <content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><span>Paro o carro pela milésima vez num congestionamento fora do comum para o horário. Quando vamos ao mesmo lugar no mesmo horário todos os dias é comum sabermos como o trânsito se comporta e, definitivamente, aquilo não era normal.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Tamborilo na marcha ouvindo o timtimtim do meu anel batendo ritmicamente nela. Coisas que me acalmam. Mudo a música. Olho para a capa do álbum que agora toca no Spotify. É estranha. Começou a tocar uma música das escolhidas pelo nosso caçula. Um rapper americano. Melhor voltar à música anterior.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Os carros não se movem.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Ainda tenho tempo, o relógio me diz.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Olho para o lado e vejo uma mulher sentada na parada de ônibus. Bem vestida, salto alto, uma bolsa ao seu lado e um cigarro em sua mão. O cigarro permanece assim. Pareceu-me mais tempo que o comum. De repente, ela olha assustada para a mão com o cigarro pendente. Como se não soubesse como ele foi parar lá. Titubeou um pouco e o colocou na boca. Um trago. Vi uma fumaça preguiçosa se levantando. Quase pude sentir o cheiro da nicotina de onde eu estava. Me peguei franzindo o nariz, como sempre fazia quando papai fumava enquanto dirigia, levando-me para a escola. Sorrio com a memória.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Ela para seus movimentos e volta a olhar para o cigarro por mais um longo intervalo até decidir levá-lo à boca novamente.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Percebo um suspiro. A forma como seu peito se ergueu, sua cabeça baixou e a mão pendeu ao lado do corpo mexeu comigo. O que será que aconteceu com ela? Quais batalhas estava travando?</span></p>
<p dir="ltr"><span>Escuto uma buzina que me acorda do devaneio. Os carros voltaram a se movimentar e passo a primeira marcha. Olho uma última vez para a fumante e vejo que ela se levantou. Também se pôs em movimento ao ouvir a buzina ou outra coisa qualquer a acordou daquele transe. Balançou a cabeça, colocou um óculos escuro, passou a mão no cabelo, posicionou a bolsa no ombro e começou a andar decididamente pela calçada.</span></p>
<p dir="ltr"><span>Sem o cigarro…</span></p>
<p><b> </b></p>
<p dir="ltr"><span>Bárbara Seabra </span></p>
<p dir="ltr"><span>Autora de “O diário de uma gordinha” e “A janela do isolamento”</span></p>
<p dir="ltr"><span>Escritora</span></p>
<p><b id="docs-internal-guid-c5c01897-7fff-c29a-41d3-afb2d3f8a01e"><br><br></b></p>]]></content:encoded>
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