Vizinho do Brasil reduz a jornada de trabalho e aumenta salários sem crise de emprego

Colômbia reduz seis horas, aumenta salários e alcança cerca de 787 mil contratações em três anos.

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Vizinho do Brasil reduz a jornada de trabalho e aumenta salários sem crise de emprego
Algumas empresas adotaram novas medidas - Foto: Andresr via Getty Images

No dia 15 de julho, os trabalhadores colombianos passaram de 48 para 42 horas semanais na jornada de trabalho ao longo de cinco anos, uma redução de seis horas. Enquanto isso, salário aumentou e trabalhadores ganharam mais direitos.

As mudanças elevaram os custos de algumas empresas, que precisaram fechar mais cedo, investir em automação, reajustar preços e rever planos de contratação. Ainda assim, o emprego formal continua crescendo no país, segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.

O caso colombiano tem chamado atenção porque ocorre em um momento em que o Brasil também discute a redução da jornada de trabalho e mudanças na escala 6x1.

Impactos da redução da jornada de trabalho na Colômbia

A redução de horas na jornada de trabalho, aprovada durante o governo do ex-presidente Iván Duque (2018-2022), foi implementada gradualmente ao longo de cinco anos e se somou à reforma trabalhista aprovada em 2025.

Já no governo de Gustavo Petro, o salário mínimo do país foi reajustado em 23,7%, ampliando os ganhos dos trabalhadores. As mudanças elevaram os custos para parte das empresas, especialmente aquelas que dependem de operações em horários estendidos.

O economista Stefano Farné, diretor do Observatório do Mercado de Trabalho e Seguridade Social da Universidade Externado, em Bogotá, explica à BBC News Brasil que houve um aumento no custo por trabalhador, mas sem reflexos negativos significativos no mercado de trabalho.

"Não há dúvidas de que aumentaram os custos unitários por trabalhador na Colômbia", diz Farné, que participou de discussões no Congresso no país sobre as mudanças.

"Mas o que observamos é que não houve efeitos negativos sobre o mercado de trabalho. Além disso, o emprego assalariado do setor privado segue crescendo há muitos meses."

Uma análise da Corficolombiana, uma das maiores instituições financeiras do país, aponta que a redução da jornada contribuiu para a contratação de novos trabalhadores. A estimativa é que cerca de 787 mil pessoas tenham sido contratadas entre 2022 e 2025 para compensar a diminuição das horas trabalhadas.

Por outro lado, empresários relatam desafios para absorver os novos custos. Um levantamento da Federação Nacional de Comerciantes e Empresários da Colômbia (Fenalco) mostrou que 51% das empresas reduziram horários de funcionamento ou passaram a fechar mais cedo. 

Além disso, 25% aceleraram investimentos em automação e 23% reajustaram preços de produtos e serviços.

Chile e Brasil na corrida na redução da jornada de trabalho

A Colômbia não é o único país da América Latina a apostar na redução da jornada de trabalho. No Chile, uma reforma aprovada em 2023 estabeleceu a diminuição gradual da carga horária semanal de 45 para 40 horas. A implementação começou em 2024 e deve ser concluída em 2028.

O país já possuía experiência com esse tipo de mudança. Em 2005, os chilenos reduziram a jornada máxima de 48 para 45 horas semanais após um período de transição de quatro anos. Estudos posteriores concluíram que a medida teve impactos limitados sobre a criação e a eliminação de empregos.

No Brasil, a discussão também ganhou força nos últimos anos. Atualmente, a jornada máxima prevista na legislação é de 44 horas semanais, mas propostas em debate defendem a redução para 40 horas e mudanças relacionadas à escala 6x1.

Os exemplos de Colômbia e Chile mostram que a redução da jornada de trabalho pode ocorrer sem grandes impactos no emprego quando existe um período de transição que permita a adaptação das empresas. 

Embora o tema ainda divida opiniões entre trabalhadores e empresários, a tendência de jornadas menores vem ganhando espaço em diferentes países como forma de equilibrar produtividade e qualidade de vida.

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