Nos EUA, cada vez mais pessoas, inclusive brasileiros, estão ‘vendendo’ plasma para pagar as contas

Em cidades dos Estados Unidos, de Filadélfia a Phoenix e Oklahoma City, cresce um fenômeno que muitos moradores – incluindo brasileiros que migraram em busca de oportunidades – nunca imaginaram viver: famílias estão indo voluntariamente a centros de plasma sanguíneo para receber dinheiro em troca do seu plasma e ajudar a fechar as contas no fim do mês.
O plasma é a parte líquida do sangue e contém proteínas e anticorpos usados para fabricar medicamentos para doenças graves como hemofilia, queimaduras e deficiências imunológicas. Nos EUA, ao contrário de muitos países, é legal receber compensação por doar plasma – e isso virou um negócio que movimentou cerca de US$4,7 bilhões no último ano.
Mesmo com dados oficiais mostrando que alguns indicadores econômicos estão estáveis, o custo de vida segue alto: aluguéis, comida, seguro de saúde e cuidados com a família pressionam o orçamento. Para muitos brasileiros vivendo nos EUA – seja como trabalhadores autônomos, em empregos de serviço ou fazendo “gig jobs” como Uber e DoorDash – o dinheiro extra que recebem em troca de doar plasma tem sido a diferença entre pagar despesas essenciais ou acumular dívidas.
Um exemplo que se repetiu em várias entrevistas foi o de pessoas que ganham dinheiro para comprar comida, pagar aluguel ou despesas médicas, porque o salário principal não está cobrindo todas as contas. Em um centro de plasma em Pensilvânia, um homem de 43 anos explicou que usa o dinheiro para comprar itens básicos da casa, além de trabalhar com entregas para complementar renda.
Para muitos brasileiros que vivem fora dos grandes centros econômicos ou que têm família no Brasil para sustentar, essa fonte extra de renda passou a ser um recurso real. A prática não é eliminada das comunidades imigrantes, ao contrário: virou tema entre grupos de brasileiros que compartilham dicas de como complementar renda, quando os empregos formais não são suficientes.
Alguns comentam que, embora se sinta estranho trocar parte do próprio corpo por dinheiro, a necessidade fala mais alto quando se trata de contas que não esperam – como aluguel, matrícula escolar ou até emergências médicas.
Em média, um doador pode receber entre US$45 e US$65 por visita, com pagamentos normalmente carregados em cartões pré-pagos ou contas dedicadas. Em algumas promoções e com doações regulares, o total pode chegar a cerca de US$300–US$400 ao mês se a pessoa doar plasma duas vezes por semana, que é o limite permitido pela maioria dos centros.
Isso pode não parecer muito, mas para quem vive com orçamento apertado – principalmente em cidades onde o aluguel sozinho passa de US$1.500 por mês – esses US$300 extras podem significar a diferença entre pagar as contas ou atrasar pagamentos essenciais.
Doar plasma não é igual a doar sangue inteiro: o processo leva cerca de uma hora, retira cerca de 10% do volume sanguíneo e devolve o restante ao corpo. A maioria das pessoas regenera o plasma em horas a dias, mas alguns relatam cansaço, tontura ou hematomas no local da punção. Especialistas alertam que doar com muita frequência ou sem orientação adequada pode impactar alguém que já tenha anemia ou problemas de saúde.
A prática vem crescendo e hoje cerca de 200 mil pessoas por dia vão a esses centros em todo o país. Para muitos brasileiros nos EUA, doar plasma virou uma estratégia de sobrevivência, não apenas um “bico” eventual. E enquanto a economia oficial mostra números positivos em alguns setores, na vida real, milhões estão buscando qualquer renda extra para manter a família e continuar nos EUA.
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