Nvidia celebra resultados acima do esperado, com IA como carro-chefe
Nesta quarta-feira (25), a Nvidia divulgou seus resultados financeiros do quarto trimestre de 2025. Para a alegria de Jensen Huang, fundador e CEO da big tech, o desempenho foi superior ao esperado, graças, sobretudo, ao crescimento de 75% na receita de data centers.
Após o fechamento do mercado, as ações da empresa subiram cerca de 2%, enquanto Wall Street, durante o pregão regular, fechou em alta, com as expectativas em cima da Nvidia.
Resultado da Nvidia foi acima do esperado
O lucro por ação da empresa foi de US$ 1,62 (R$ 8,30), ante US$ 1,53 (R$ 7,84), com receita de US$ 68,1 bilhões (R$ 349,2 bilhões), sendo que eram esperados US$ 66,2 bilhões (R$ 339,3 bilhões).
A receita total da empresa de Huang subiu, no trimestre, 73%, passando de US$ 39,3 bilhões (R$ 201,4 bilhões) do ano anterior.
Data centers puxam empresa
Foram obtidos mais de 91% de vendas da unidade de data center, que possuem os chips de inteligência artificial (IA) da empresa desejados em todo o mundo.
A receita do setor de data centers chegou a US$ 62,3 bilhões (R$ 319,3 bilhões) no quarto trimestre, ante expectativas de US$ 60,6 bilhões (R$ 311 bilhões) da StreetAccount.
O lucro líquido da companhia quase dobrou, chegando a US$ 43 bilhões (R$ 220,4 bilhões), sendo US$ 1,76 (R$ 9,02) por ação. No mesmo trimestre em 2024, foram US$ 22,1 bilhões (R$ 113,2 bilhões), ou US$ 0,89 (R$ 4,56) por ação.
A companhia informou, ainda, em seu comunicado ao diretor financeiro, que os provedores de hiperescala “continuam sendo nossa maior categoria de clientes”. Ao todo, eles representa mais de 50% da receita de data centers.
Ainda no segmento de data centers, a Nvidia obteve vendas de US$ 10,9 bilhões (R$ 55,8 bilhões) para componentes de rede, que conectam centenas de GPUs.
O valor representa crescimento de 263% ante 2024, o que aponta a forte adoção da tecnologia de rede NVLink e dos switches Ethernet Spectrum-X, tendo, como clientes, gigantes, como a Meta.

E os games?
A divisão de jogos da Nvidia, que já foi sua principal força motriz, obteve aumento na receita de 47% em relação ao ano anterior, chegando a US$ 3,7 bilhões (R$ 18,9 bilhões). Contudo, caiu 13% se comparado ao trimestre anterior.
A CNBC destaca que analistas especulam que a empresa pode não lançar uma nova GPU para games este ano, pois as restrições de memórias forçam fabricantes de chips como a Nvidia a priorizar os processadores de IA.
Para a big tech, isso quer dizer aceleradores de IA vendidos especialmente em sistemas de grande escala, como o Grace Blackwell, com 72 GPUs.
Quanto à preocupação mundial com a suposta escassez de memória, a empresa respondeu que está expandindo sua cadeia de suprimentos para além da Ásia, visando se estabelecer também nos Estados Unidos e na América Latina.
Agora, as GPUs Blackwell são fabricadas nas novas plantas de chips da TSMC no Arizona (EUA), enquanto alguns de seus sistemas de grande escala estão sendo montados em nova e grande fábrica da Foxconn no México.
E a expectiativa só aumenta com o lançamento da nova geração de sistemas Vera Rubin, que sucederão o Grace Blackwell. A novidade deve chegar no fim do ano.
Durante a apresentação de resultados, a diretora financeira da Nvidia, Colette Kress, disse que a companhia “enviou as primeiras amostras do Vera Rubin para clientes no início desta semana e continuamos no caminho certo para iniciar os envios de produção no segundo semestre do ano”.
O Vera Rubin deve ter desempenho dez vezes superior por watt, propiciando, aos grandes centros de dados, eficiência energética.
“Espera-se que essas medidas fortaleçam nossa cadeia de suprimentos, adicionem resiliência e redundância e atendam à crescente demanda por infraestrutura de IA. Nossa capacidade de aumentar a capacidade de produção dependerá da capacidade do ecossistema de manufatura da região em aumentar o fornecimento de produção para o volume necessário e em tempo hábil”, explicou a Nvidia, no relatório.
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Automotivo
O setor automotivo, com chips para carros e robôs, reportou vendas de US$ 604 milhões (R$ 3 bilhões) no quarto trimestre, com crescimento de 6% ante 2024. Ainda assim, o valor ficou abaixo do estimado por analistas. Segundo a StreetAccount, eles esperavam algo em torno de US$ 654,8 milhões (R$ 3,3 bilhões).
No negócio de visualização profissional, a Nvidia obteve receita de US$ 1,3 bilhão (R$ 6,7 trilhões), sendo o resultado um aumento de 159% ante 2024 e acima do esperado pelos especialistas, que, segundo o StreetAccount, era de US$ 755,4 milhões (R$ 3,8 bilhões).
Sobre investimentos recentes, como em laboratórios de IA e empresas do setor — incluindo a generosa participação na Intel —, a companhia informou ter investido US$ 17,5 bilhões (R$ 89,7 bilhões) em empresas privadas e fundos de infraestrutura em 2025, “principalmente para apoiar startups em estágio inicial”.
Segundo a Nvidia, tais movimentações “podem não se tornar lucrativas em curto prazo, ou mesmo nunca, e não há garantia de que obteremos retorno sobre nossos investimentos”.
Jensen Huang afirmou, durante a divulgação de resultados, que sua empresa segue “trabalhando com a OpenAI em direção a um acordo de parceria e acreditamos que estamos perto de concretizá-lo”. Em setembro, Nvidia e OpenAI firmaram acordo de US$ 100 bilhões (R$ 512,5 bilhões), mas que ainda não foi finalizado. No relatório trimestral, a big tech alega que não há garantias de que “a transação será concluída”.

Previsões
A previsão de receita para o primeiro trimestre fiscal de 2026 da Nvidia é de US$ 78 bilhões (R$ 399,8 bilhões), com margem de erro de 2%. Segundo a CNBC, analistas esperavam US$ 72,6 bilhões (R$ 372,1 bilhões). Nessa projeção, conforme a gigante das GPUs, não consta a receita de data centers na China.
O investimento total para este ano é estimado em US$ 700 bilhões (R$ 3,5 trilhões), acompanhando a corrida pela IA.
A diretora financeira Colette Kress afirmou que acredita que a divisão de jogos da Nvidia terá problemas com as restrições de fornecimento “no primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 e posteriormente”.
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