Paraíba suspende vacinação contra a dengue após registrar 71 notificações de eventos adversos

A Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB) confirmou o registro de 71 notificações de eventos adversos relacionados à vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. Diante do cenário, a aplicação do imunizante foi suspensa temporariamente em todo o território paraibano a partir desta terça-feira (9). A medida atende a uma recomendação do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A vacina Butantan-DV começou a ser distribuída na Paraíba em fevereiro deste ano, tendo como público-alvo prioritário os profissionais de saúde da Atenção Primária. Ao todo, o estado recebeu 22.940 doses, das quais 7.984 foram efetivamente aplicadas nos 223 municípios paraibanos. Recolhimento de doses e monitoramento De acordo com o governo estadual, os 71 casos relatados até o momento foram classificados como não graves. As notificações estão sob acompanhamento do Núcleo Estadual de Imunizações e das secretarias municipais de saúde. Com a interrupção das atividades, a SES-PB iniciou uma operação de logística reversa para recolher as doses remanescentes que estavam em posse dos municípios. O lote restante ficará armazenado na Rede de Frio Estadual, em João Pessoa, até que haja um parecer definitivo das autoridades sanitárias. Orientação aos vacinados: A secretaria orienta que as pessoas que já receberam o imunizante fiquem atentas ao estado de saúde por até 21 dias. Em caso de sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos, sangramentos, tontura ou sonolência excessiva, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente. Alerta nacional e investigação de óbitos A decisão na Paraíba acompanha um movimento nacional de cautela. Na segunda-feira (8), o Ministério da Saúde determinou a suspensão temporária do uso da vacina do Butantan em todo o país após a identificação de 42 casos com sintomas mais severos. Desses, três pacientes necessitaram de hospitalização e dois evoluíram para óbito. A pasta ressaltou que, embora o comitê de especialistas ainda esteja investigando as causas e não haja uma relação direta de causalidade confirmada entre as mortes e o imunizante, o volume de notificações gerou um "sinal de alerta" necessário para paralisar a campanha. O ministro Alexandre Padilha manifestou-se publicamente tentando conter o desgaste, afirmando que "o Ministério da Saúde tem total confiança na capacidade institucional do Butantan" e reiterou a relevância das vacinas no controle epidemiológico. Diferenciação dos imunizantes As autoridades reforçam que o bloqueio atual atinge exclusivamente o lote e a fórmula produzida pelo Instituto Butantan. A vacina Qdenga, fabricada pelo laboratório japonês Takeda e também disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), permanece com a distribuição e aplicação autorizadas e sem restrições. Até o final de maio, o Brasil havia aplicado pouco mais de 500 mil doses do imunizante do Butantan, que foi integrado ao plano de saúde pública em janeiro deste ano sob um caráter de avaliação de impacto dinâmico contra a doença. A redação

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