Caso de racismo em escola particular mobiliza polícia na Zona Leste de São Paulo
Adolescente de 14 anos relata injúria racial em sala de aula na capital paulista, mobiliza autoridades policiais e gera forte repercussão na comunidade escolar
Estudante de 14 anos registrou boletim de ocorrência na delegacia do Tatuapé, em São Paulo, após ser chamado de "neguinho" por um docente de História durante uma atividade escolar na manhã de terça-feira (1), porque o educador perdeu a paciência com conversas paralelas na turma do nono ano e direcionou ofensas verbais ao adolescente perante os colegas, motivando a família a buscar reparação judicial imediata.
Conflito na sala de aula
Durante uma aula regular da disciplina de História no Colégio Objetivo, localizado no bairro do Tatuapé, na Zona Leste da capital paulista, o ambiente de ensino transformou-se em palco de constrangimento e ofensa. O educador responsável pela turma escrevia conteúdos programáticos na lousa quando percebeu que alguns estudantes conversavam em vez de registrar a matéria nos cadernos. Tomado por irritação, o profissional elevou o tom de voz, interrompeu a explicação didática e passou a repreender os alunos de maneira ostensiva e ríspida diante de todos os presentes na sala de aula.
Docente gritou com a turma e dirigiu ofensa diretamente ao adolescente de 14 anos (Foto/Reprodução/Facebook/RedeTV)
Em meio à bronca generalizada direcionada aos adolescentes do nono ano do ensino fundamental, o professor caminhou em direção à carteira onde o estudante de 14 anos estava sentado. Parando bem em frente ao jovem, o docente proferiu a expressão pejorativa ao questionar se o aluno possuía caderno para realizar as anotações obrigatórias. A fala gerou imediato espanto entre os colegas que assistiam à cena, criando um clima de forte tensão e humilhação dentro do espaço acadêmico que deveria garantir segurança e respeito mútuo entre discentes e mestres.
Reação da família
Assim que o período de aulas foi encerrado e o sinal do intervalo tocou, o adolescente deixou as dependências da instituição visivelmente abalado com a situação vivida. O jovem utilizou o telefone celular para ligar imediatamente para o pai, relatando com detalhes a ofensa de cunho racial que havia sofrido minutos antes dentro da sala de aula. A gravidade do relato mobilizou o responsável, que compareceu prontamente à unidade escolar e, em seguida, dirigiu-se ao 30º Distrito Policial para formalizar a queixa oficial contra o comportamento do educador.
O boletim de ocorrência foi registrado formalmente como crime de racismo, iniciando as diligências necessárias para apurar a responsabilidade civil e criminal do docente envolvido no caso. A família destacou a importância de não naturalizar atitudes preconceituosas disfarçadas de cobranças disciplinares cotidianas. O estudante, que estuda na mesma instituição de ensino particular há oito anos consecutivos, recebeu o apoio de colegas pelos corredores, enquanto os familiares cobram rigor na apuração dos fatos pelas autoridades competentes de São Paulo.
Postura da instituição
Procurada por veículos de imprensa e órgãos de comunicação da região metropolitana para prestar esclarecimentos oficiais sobre o episódio lamentável, a direção do Colégio Objetivo manteve-se em silêncio durante as primeiras horas após o registro da ocorrência. Até o fechamento desta reportagem, a instituição particular de ensino não havia emitido nenhuma nota pública de posicionamento, esclarecimento ou adoção de medidas administrativas internas a respeito da conduta adotada pelo professor de História investigado pela polícia.
A ausência de uma manifestação institucional imediata gerou cobranças adicionais por parte de pais, responsáveis e coletivos voltados à defesa dos direitos civis na educação. Especialistas em direito educacional ressaltam que escolas privadas possuem o dever legal e moral de zelar pela integridade física e psicológica de seus alunos, implementando protocolos rígidos contra qualquer manifestação de discriminação racial. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que deverá intimar os envolvidos e testemunhas oculares para esclarecer todos os contornos do episódio ocorrido na zona leste paulistana.
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