Lote de água Crystal é recolhido após detecção de bactéria perigosa

Anvisa proíbe venda e consumo de 374,4 mil garrafas distribuídas em quatro estados; microrganismo pode ser fatal para grupos vulneráveis

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Lote de água Crystal é recolhido após detecção de bactéria perigosa
Água Crystal | Reprodução/ Instagram / @agua.crystal

Contaminação por Pseudomonas aeruginosa no lote LZ1 da água mineral Crystal forçou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a ordenar, nesta quarta-feira (3), o recolhimento imediato de 374,4 mil garrafas de 500 ml, com proibição de venda e consumo nos estados de Goiás, São Paulo, Tocantins e no Distrito Federal. O problema foi descoberto pelo Lacen-DF durante inspeções de rotina na unidade fabril de Luziânia (GO), e a própria empresa, Mineração Bom Jesus, confirmou e aderiu ao processo de recolhimento voluntário.

Bactéria oportunista e resistente

Amplamente distribuída no ambiente, a Pseudomonas aeruginosa habita solos, corpos d'água e superfícies úmidas. Em pessoas com saúde preservada, a exposição ao microrganismo raramente desencadeia sintomas, pois o sistema imunológico é capaz de neutralizá-lo com eficiência. O cenário muda radicalmente quando o agente encontra organismos fragilizados.


Bióloga fala a bactéria Pseudomonas aeruginosa (Vídeo: reprodução / Youtube /@vitalbrazilinstituto)


Idosos, recém-nascidos, pacientes oncológicos, transplantados, portadores de fibrose cística e indivíduos dependentes de cateteres ou ventiladores mecânicos formam o grupo com maior risco de complicações graves. Nesses casos, a bactéria pode se instalar no sangue, nos pulmões, nos ossos, nos olhos, nos ouvidos, nas vias urinárias e nas válvulas cardíacas, evoluindo para quadros de pneumonia hospitalar e sepse, infecção generalizada que, sem tratamento imediato, pode ser fatal.

Outro ponto de atenção é a resistência natural de algumas cepas a antibióticos, o que torna o tratamento mais complexo e prolongado. Diante disso, especialistas são categóricos: não existe maneira segura de consumir a água do lote afetado. Resfriar ou congelar as garrafas não elimina o microrganismo, e não há garantia de que ele não sobreviva ao processo de congelamento.

Anvisa notifica Crystal e interdita fábrica

O rastreamento da contaminação começou com exames de rotina conduzidos pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF) em amostras coletadas diretamente na planta industrial de Luziânia. Após a confirmação por contraprova, as autoridades sanitárias interditaram o local e acionaram a Anvisa, que tornou pública a situação nesta quarta-feira (3).

A medida abrange exclusivamente o lote LZ1 VAL200127 3 P 200126, fabricado em 20 de janeiro de 2026, com prazo de validade até 20 de janeiro de 2027. O volume total de garrafas comprometidas está assim distribuído: 230.443 unidades no Distrito Federal, 66.768 em cidades goianas, 75.750 no interior paulista e 1.439 no Tocantins. Até a publicação desta reportagem, nenhum consumidor havia registrado queixas formais relacionadas ao lote.

O episódio não é isolado. Meses antes, em abril, a mesma Pseudomonas aeruginosa motivou a Anvisa a vetar produtos da marca Ypê. Especialistas relacionam esse padrão de ocorrências a brechas nos protocolos de produção e controle de qualidade, dado que o microrganismo está presente em inúmeros ambientes industriais. Quem adquiriu garrafas do lote indicado deve interromper o consumo imediatamente e procurar o ponto de venda ou entrar em contato diretamente com a Mineração Bom Jesus, fabricante responsável pela linha Crystal, de propriedade da Coca-Cola Company.

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