Anvisa aprova novo medicamento para epilepsia farmacorresistente em adultos

Mar 11, 2026 - 07:50
Mar 11, 2026 - 08:11
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Anvisa aprova novo medicamento para epilepsia farmacorresistente em adultos

Anvisa aprova novo medicamento para tratar epilepsia farmacorresistente

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro de um novo medicamento destinado ao tratamento de crises focais em adultos que sofrem com epilepsia farmacorresistente. O medicamento aprovado é o Xcopri (cenobamato), desenvolvido pela empresa Momenta Farmacêutica.

A epilepsia farmacorresistente ocorre quando os pacientes continuam apresentando crises mesmo após o uso de pelo menos dois medicamentos diferentes. Estima-se que essa condição afete cerca de 30% das pessoas diagnosticadas com epilepsia.

Segundo a Anvisa, o novo tratamento atua reduzindo a atividade elétrica anormal no cérebro, o que ajuda a diminuir a ocorrência das crises epilépticas.


Estudos apontam redução significativa das crises

Os resultados apresentados em estudos clínicos indicaram uma melhora importante na frequência das crises entre os pacientes que utilizaram o medicamento.

De acordo com os dados avaliados pela Anvisa, cerca de quatro em cada dez pacientes que receberam dose diária de 100 miligramas tiveram redução de pelo menos 50% nas crises.

Entre aqueles que utilizaram 400 miligramas por dia, aproximadamente 64% também apresentaram redução significativa dos episódios. Já no grupo que recebeu placebo durante os testes, apenas 26% registraram melhora semelhante.

Os resultados reforçam o potencial do medicamento como uma alternativa para pacientes que enfrentam dificuldades no controle da doença com terapias tradicionais.


Venda depende de definição de preço no Brasil

Apesar da aprovação do registro, o medicamento Xcopri (cenobamato) ainda não está disponível para comercialização no país.

Antes de chegar ao mercado, será necessário que a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) estabeleça o preço máximo permitido para venda.

Além disso, para que o tratamento seja oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o medicamento ainda precisa passar por avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e por decisão final do Ministério da Saúde.


O que é epilepsia

A epilepsia é uma condição neurológica caracterizada por alterações temporárias no funcionamento do cérebro. Durante uma crise, ocorre uma descarga elétrica anormal que pode provocar diferentes sintomas.

Essas crises podem durar apenas alguns segundos ou minutos e podem se manifestar de diversas formas, dependendo da região do cérebro afetada.

Quando os sinais elétricos anormais permanecem restritos a uma área específica do cérebro, a crise é classificada como parcial ou focal. Já quando a atividade se espalha para ambos os hemisférios cerebrais, a crise é considerada generalizada.

O diagnóstico geralmente é feito com base em avaliação clínica, exames físicos e histórico detalhado das crises relatadas pelo paciente ou por testemunhas.


Março Roxo reforça conscientização sobre epilepsia

A aprovação do novo medicamento ocorre durante o período conhecido como Março Roxo, campanha dedicada à conscientização sobre a epilepsia.

O mês inclui o Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, celebrado em 26 de março, com o objetivo de ampliar a informação sobre a condição, combater o preconceito e incentivar o diagnóstico precoce.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 65 milhões de pessoas convivem com epilepsia em todo o mundo.

No Brasil, mais de 2 milhões de pessoas vivem com a condição. Segundo a Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), muitos pacientes ainda enfrentam desafios relacionados ao acesso ao tratamento e também ao estigma social.


Especialistas apontam avanço no tratamento

Para especialistas, a aprovação do novo medicamento representa um avanço importante no tratamento de pacientes que convivem com epilepsia de difícil controle.

A neurologista e integrante da diretoria da Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), Juliana Passos, destaca que o medicamento pode oferecer melhores resultados em comparação com outras terapias disponíveis.

Segundo ela, ampliar as opções de tratamento é fundamental para pacientes que ainda enfrentam crises frequentes mesmo após diferentes tentativas terapêuticas.

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