Argentina concede refúgio permanente a brasileiro condenado pelos atos de 8 de janeiro
Argentina concede refúgio permanente a brasileiro condenado pelos atos de 8 de janeiro
A Comissão Nacional de Refugiados (Conare) da Argentina decidiu conceder refúgio permanente ao brasileiro Joel Borges Corrêa, condenado no Brasil a 13 anos e seis meses de prisão por participação nos ataques às sedes dos Três Poderes ocorridos em 8 de janeiro de 2023.
O órgão argentino, ligado ao Ministério de Segurança Nacional da Argentina, tomou a decisão no dia 4 de março. A informação, no entanto, foi divulgada publicamente apenas nesta terça-feira (10), conforme informou o advogado Luciano Cunha, responsável pela defesa de Corrêa.
Brasileiro estava preso na Argentina
Joel Borges Corrêa estava detido na Argentina desde o final de 2024. Na ocasião, a Justiça argentina chegou a autorizar o pedido de extradição solicitado pelas autoridades brasileiras.
A solicitação foi feita pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil, atendendo a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelo julgamento dos envolvidos nos ataques de janeiro de 2023.
Em janeiro deste ano, a prisão preventiva do brasileiro foi convertida em prisão domiciliar enquanto o processo seguia em análise no país vizinho.
Condenação no Brasil
No Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Joel Borges Corrêa por diversos crimes relacionados aos ataques às sedes dos Poderes em Brasília.
Entre as acusações estão:
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abolição violenta do Estado Democrático de Direito
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tentativa de golpe de Estado
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deterioração de patrimônio tombado
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dano qualificado
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associação criminosa armada
As penas somadas resultaram na condenação de mais de 13 anos de prisão.
Defesa alegou perseguição política
De acordo com a defesa, o processo analisado pela Comissão Nacional de Refugiados (Conare) concluiu que Corrêa deixou o Brasil por temer perseguição relacionada à atribuição de opinião política.
Segundo o advogado Luciano Cunha, o órgão argentino reconheceu que havia risco de violação de garantias fundamentais caso o brasileiro fosse devolvido ao país de origem.
Com o reconhecimento da condição de refugiado, passam a valer garantias internacionais de proteção humanitária.
Princípio impede extradição
Entre essas garantias está o chamado princípio do non-refoulement, norma do direito internacional que impede que um refugiado seja devolvido ao país onde possa sofrer perseguição ou violação de direitos fundamentais.
Na prática, o reconhecimento do status de refugiado pode impedir a extradição do brasileiro para cumprir a pena determinada pela Justiça brasileira.
Outros brasileiros aguardam decisão
Além de Joel Borges Corrêa, outros quatro brasileiros também aguardam análise do pedido de refúgio pelas autoridades argentinas.
Entre eles estão:
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Joelton Gusmão de Oliveira
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Rodrigo de Freitas Moro Ramalho
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Wellington Luiz Firmino
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Ana Paula de Souza
Todos tiveram seus nomes mencionados em processos relacionados aos eventos de 8 de janeiro no Brasil.
Associação comentou decisão
A concessão do refúgio ao brasileiro também foi divulgada pela Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de janeiro (Asfav), que comentou o caso nas redes sociais.
Até o momento, não houve manifestação oficial do Supremo Tribunal Federal (STF) nem do governo brasileiro sobre a decisão da comissão argentina.
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