Caso Gisele: cronologia leva à prisão de tenente
A prisão do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, ocorrida nesta quarta-feira (18) em São José dos Campos (SP), marca um novo capítulo no caso da morte da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. O caso, inicialmente tratado como suicídio, passou a ser investigado como feminicídio após a análise de evidências e laudos periciais.
Gisele foi encontrada morta em 18 de fevereiro, com um tiro na cabeça, dentro do apartamento onde morava com o companheiro, na região do Brás, área central de São Paulo. Na ocasião, uma vizinha relatou ter ouvido um disparo por volta das 7h28. O próprio tenente-coronel acionou a Polícia Militar cerca de 30 minutos depois, relatando o caso como suicídio.
No entanto, inconsistências começaram a surgir ainda no início da investigação. O suspeito afirmou que estava no banho no momento do disparo, mas socorristas que atenderam a ocorrência indicaram que ele estava seco e que não havia sinais de uso recente do banheiro.
Outro ponto que levantou suspeitas foi a posição da arma encontrada com a vítima. De acordo com a defesa da família, a forma como o objeto estava encaixado na mão não é comum em casos de suicídio, reforçando a hipótese de intervenção de terceiros.
A cronologia do caso revela uma sequência de eventos que contribuíram para a mudança na linha de investigação:
Ainda no dia da morte, o tenente-coronel entrou em contato com um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, que chegou a ir até o local. No período da tarde, três policiais foram ao apartamento e realizaram uma limpeza, fato posteriormente confirmado em depoimentos.
No dia seguinte, o primeiro laudo necroscópico já apontava lesões na face, no pescoço e na lateral do corpo da vítima. As marcas eram compatíveis com sinais de agressão, incluindo escoriações provocadas por unhas.
Diante das suspeitas, o corpo foi exumado no dia 6 de março para novos exames. O laudo complementar confirmou a presença de lesões contundentes na região facial e cervical, fortalecendo a hipótese de violência anterior ao disparo.
Com base nas evidências reunidas, a Justiça Militar expediu, na terça-feira (17), um mandado de prisão preventiva contra o tenente-coronel. Ele foi indiciado pela Polícia Civil por feminicídio e fraude processual.
Na manhã seguinte, o suspeito foi preso em sua residência e encaminhado ao 8º Distrito Policial, na zona leste da capital paulista. Posteriormente, deverá ser transferido para o Presídio Militar Romão Gomes, onde permanecerá à disposição da Justiça.
O caso segue repercutindo e levanta discussões sobre violência contra a mulher e a condução de investigações envolvendo agentes de segurança pública.
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