Polícia prende mãe que agrediu bebê para exigir pensão
Imagens com ameaças de morte enviadas ao ex-companheiro geram revolta em São João da Barra; Conselho Tutelar resgata as duas crianças e Justiça concede liberdade provisória
Madrugada de domingo (7) no distrito do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, vira cenário de horror após uma mulher agredir o próprio filho de 5 meses e filmar o ato para coagir o ex-companheiro a pagar pensão alimentícia. O Conselho Tutelar e a Polícia Militar intervieram imediatamente após o pai da outra criança, de quase 2 anos, receber o vídeo com ameaças de morte e acionar o socorro. A agressora, que tentou cometer autoflagelo ingerindo remédios, foi detida em flagrante, mas obteve liberdade provisória sob medidas cautelares nesta terça-feira (9). As vítimas foram protegidas pela rede municipal.
O crime e a coação
As investigações da Polícia Civil apontam que a motivação por trás da violência brutal era estritamente financeira. A mulher gravou a si mesma desferindo uma sequência de tapas e apertões violentos no rosto do lactente. No registro visual, ela também pressionava com força a bochecha e a chupeta contra a boca do recém-nascido, que chorava desesperadamente.
Cenas fortes da agressão (Foto: Reprodução / Site / G1 Norte Fluminense)
Durante a gravação, a suspeita proferiu xingamentos contra o ex-parceiro e terceiros, chamando-os de "miseráveis" devido à ausência dos repasses financeiros. Em tom explícito de coação, ela garantiu que o homem encontraria todos mortos caso o dinheiro exigido não fosse enviado imediatamente. A ameaça de homicídio se estendia ao filho mais velho, de 1 ano e 11 meses.
Socorro e prisão
Assim que teve acesso ao conteúdo perturbador, o pai da criança mais velha correu até o imóvel para salvar o filho. Paralelamente, uma denúncia anônima contendo o vídeo foi enviada ao Conselho Tutelar local. Quando as testemunhas e os policiais militares chegaram à residência, encontraram a agressora caída no chão. Em um momento de desespero após o envio das imagens, ela havia ingerido uma quantidade excessiva de medicamentos de forma voluntária.
A mulher recebeu os primeiros socorros no posto de saúde do Açu, foi transferida para o centro de emergência de São João da Barra e, após receber alta médica, acabou conduzida pelos agentes para a 145ª Delegacia de Polícia. Ela foi autuada em flagrante pelos crimes de:
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Lesão corporal em contexto de violência doméstica;
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Ameaça;
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Maus-tratos qualificados.
Áudio Sensível dos registros de agressões e ameaças (Vídeo: Reprodução / Instagram / @mancheterj)
Após o depoimento inicial, o sistema judiciário determinou sua transferência para o presídio feminino. Contudo, em audiência de custódia realizada nesta terça-feira (9), o magistrado plantonista concedeu a liberdade provisória da suspeita, condicionada ao cumprimento estrito de medidas cautelares.
Proteção das crianças
O bebê de 5 meses foi resgatado com diversas escoriações pelo corpo. A equipe de proteção social encaminhou a vítima de forma imediata para o Centro de Emergência municipal, onde passou por avaliações clínicas detalhadas e, felizmente, apresenta um quadro de saúde estável.
A Prefeitura de São João da Barra informou, por meio de nota oficial, que efetuou o Boletim de Ocorrência e direcionou os menores de idade para a Sala Lilás, um departamento municipal especializado no acolhimento físico e psicológico de vítimas de violência doméstica.
A destinação das crianças seguiu critérios de segurança estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA):
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O bebê agredido: Encontra-se sob a guarda protetiva de um acolhimento institucional da prefeitura. O pai biológico desta criança ainda não se apresentou às autoridades.
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A criança de quase 2 anos: Não apresentava ferimentos físicos e foi entregue formalmente à responsabilidade do pai (o homem que recebeu as ameaças e denunciou o caso), o qual não possui vínculo biológico com o bebê.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) foi consultado sobre o andamento das medidas protetivas e a destituição do poder familiar, mas a administração municipal não confirmou se o órgão já iniciou uma ação civil pública paralela ao processo criminal em andamento.
Por Weslley Alves, Publicado em 09 de junho de 2026
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