Qual a cultura?

Programas gastronômicos. Confusões e apoio. Quem está certo?

23 Agosto 2026 - 21:45
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Qual a cultura?

 

Desde o TOP CHEF, em meado dos anos 2000, que curto programas de culinária. Aliás, gastronomia! Hoje parece que é um sacrilégio chamar de culinária… Então, programas como Masterchef Amadores, Masterchef Profissionais, Masterchef Confeitaria ou o que inventarem, eu acompanho. 

Penso em como eu agiria diante das provas, o que pegaria no mercado, como emprataria. Mas, gosto disso no conforto do meu sofá, nunca me imaginando estar ali e pondo meus pratos sob avaliação. Já temos julgamentos suficientes!

Este ano estou assistindo apenas por não querer largar um hábito. Candidatos grosseiros, brigas, pratos mal elaborados. Comentei sobre isso em algumas rodas de conversa e descobri que não sou a única incomodada com essa temporada. Então, fui olhar os comentários nas redes sociais. Parece geral. O que está acontecendo?

Foi aí que comecei a comparar os dois programas que venho assistindo: Masterchef Amadores 2026 e Bake Off Brasil 2026. Os dois seguem a mesma “receita”, com duas provas e um eliminado por semana. 

Entretanto…

Entretanto, no Masterchef existem gritos, discussões, jurados grosseiros, perguntas para inflamar os egos e causar discórdias. “Quem você quer que saia?” ou “Quem você não quer na sua equipe e por quê?” se tornaram perguntas recorrentes e trazem respostas ásperas. Virou um teatro de confusões, com muitas reviradas de olhos e poucos ou nenhum prato que eu, daqui de casa, pudesse falar “esse eu queria provar”. 

Já no Bake Off, em um dos episódios o bolo de um candidato despencou. Parecia uma cascata descendo a ladeira. Veio naturalmente o desespero e a repetição do “Eu não vou conseguir entregar”. E o que aconteceu? Outros candidatos pararam suas provas para ajudar o desnorteado confeiteiro a, ao menos, entregar um bolo gostoso e com um mínimo de decoração. Se uniram!

Então, me pergunto se estamos numa sociedade onde culturalmente é mais aceitável detonar, destruir, tripudiar, inferiorizar, magoar os outros e, assim, o Masterchef estimula isso entre os participantes como uma forma de oferecer o entretenimento ideal para nós. Ele não seria um programa de gastronomia, mas o recorte de uma sociedade doente. A comida seria apenas um papel de fundo, sem importância.

Se for isso, precisamos rever nossos caminhos…



Bárbara Seabra 

Escritora e autora de “O diário de uma gordinha” e “A janela do isolamento”



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