Testamos o Chevrolet Sonic RS: SUV cupê aposta no visual esportivo, entrega boa dirigibilidade, mas decepciona na autonomia
Novo Chevrolet Sonic RS combina motor 1.0 turbo, câmbio automático de seis marchas e amplo pacote de tecnologia e segurança. Ao volante, modelo é agradável e prazeroso, mas autonomia de apenas 384 km com um tanque de gasolina foi o principal ponto negativo observado durante o teste.
A Chevrolet ampliou sua presença no segmento de SUVs compactos com a chegada do Sonic, um modelo que aposta em uma receita que vem ganhando espaço no mercado brasileiro: carroceria com aparência de SUV, teto com caída mais acentuada na traseira e elementos de design que aproximam o veículo do conceito de SUV cupê.
Na versão RS, o Sonic ganha uma identidade visual ainda mais marcante. O objetivo é conquistar um consumidor que busca um carro compacto, moderno, tecnológico e com aparência esportiva, mas sem necessariamente estar procurando um veículo de alta performance.
Design: a esportividade está principalmente na aparência
A versão RS é, sem dúvida, a configuração mais chamativa do Sonic. O modelo recebe uma série de elementos visuais exclusivos que reforçam a proposta esportiva.
Entre os destaques estão a grade frontal com acabamento em preto brilhante e desenho estilo colmeia, rodas de liga leve de 17 polegadas exclusivas da versão RS, teto pintado de preto, rack de teto também em preto brilhante, retrovisores externos com acabamento High Gloss e detalhes escurecidos no acabamento interno.
Na dianteira, os faróis Full LED contam com animação ao destravar as portas, enquanto as lanternas traseiras Full LED apresentam uma assinatura luminosa própria. O conjunto dá ao Sonic uma presença visual bastante forte, principalmente à noite.
Na cabine, a configuração RS mantém a proposta esportiva com bancos dianteiros de desenho esportivo e encosto de cabeça integrado, revestimento premium na cor Jet Black, costuras vermelhas e logotipo RS. O volante também tem acabamento premium e desenho esportivo.
Mas existe uma diferença importante entre o visual e a proposta mecânica.
Apesar de carregar a sigla RS e apresentar uma aparência mais agressiva, o Sonic RS não é um esportivo de alta performance. A esportividade está concentrada principalmente no design, nos acabamentos e na identidade visual.
Não estamos falando, portanto, de um carro desenvolvido para entregar desempenho esportivo extremo. A proposta é oferecer ao consumidor a estética de um modelo mais agressivo, combinada a um conjunto mecânico voltado ao uso cotidiano.
E, nesse ponto, o Sonic RS cumpre bem o seu papel.
Motor 1.0 turbo e câmbio automático de seis marchas
O Chevrolet Sonic RS é equipado com motor 1.0 turbo de 115 cv, associado a uma transmissão automática de seis velocidades.
O conjunto é conhecido pela Chevrolet em outros produtos da marca e tem como principal característica o equilíbrio entre desempenho e eficiência. A presença do turbocompressor permite ao motor entregar uma resposta mais vigorosa em comparação com um propulsor aspirado de mesma cilindrada, especialmente em retomadas e acelerações.
A transmissão automática de seis velocidades trabalha de maneira suave e busca manter o motor em uma faixa adequada de funcionamento. O câmbio também oferece opção de seleção manual de marchas por meio do sistema eletrônico ERS.
Durante o nosso teste, a impressão ao volante foi positiva. O Sonic RS é um carro bem prazeroso de dirigir. A direção elétrica progressiva contribui para a facilidade de condução, principalmente no trânsito urbano, enquanto o conjunto demonstra bom equilíbrio para deslocamentos em rodovias.
O carro não tem a intenção de ser um esportivo, e isso fica evidente quando analisamos sua proposta. A sigla RS, nesse caso, funciona muito mais como uma assinatura visual e de posicionamento do que como uma preparação voltada à performance.
Ainda assim, o motor turbo entrega uma condução agradável e suficiente para o uso diário, com respostas que tornam o modelo interessante para quem gosta de dirigir.
A polêmica correia banhada a óleo
Um dos pontos que certamente será observado por quem acompanha a linha Chevrolet é a utilização da correia dentada banhada a óleo no motor 1.0 turbo.
Nesse sistema, a correia trabalha internamente ao motor e em contato com o óleo lubrificante. A solução tem como vantagens, em teoria, a redução de ruído e atrito, além de contribuir para a eficiência do conjunto.
Por outro lado, é uma tecnologia que exige atenção redobrada à manutenção. A utilização do lubrificante correto, dentro da especificação determinada pela fabricante, e o cumprimento dos intervalos de manutenção são fundamentais.
O proprietário também precisa ficar atento à qualidade do óleo utilizado e ao histórico de revisões. A degradação prematura da correia pode provocar a liberação de partículas no sistema de lubrificação e, em situações graves, comprometer componentes internos do motor.
Por isso, a correia banhada a óleo continua sendo um ponto que merece atenção na hora da compra e, principalmente, durante a vida útil do veículo.
A tecnologia, por si só, não significa que o motor necessariamente terá problemas. Entretanto, exige que o proprietário siga rigorosamente o plano de manutenção estabelecido pela Chevrolet.
Tecnologia: Sonic RS é bem equipado
Se o visual chama atenção por fora, a tecnologia é um dos pontos fortes do Sonic RS por dentro.
O modelo conta com uma central multimídia Chevrolet MyLink de 11 polegadas, integrada ao painel de instrumentos digital de 8 polegadas. A central permite integração com smartphones por meio de Android Auto e Apple CarPlay, além de oferecer projeção sem fio compatível com dispositivos.
O painel digital de 8 polegadas possui diferentes configurações de personalização e concentra informações importantes para o motorista, como conta-giros, hodômetro parcial, nível de combustível e outros dados do veículo.
O Sonic RS também conta com OnStar e Wi-Fi embarcado, ampliando a conectividade do veículo. O sistema OnStar oferece serviços conectados e assistência, enquanto o Wi-Fi permite conectar dispositivos à internet mediante contratação do serviço.
Outro recurso interessante é o aplicativo myChevrolet, que amplia a interação do proprietário com o veículo e os serviços conectados da marca.
A lista de equipamentos inclui ainda:
• Carregador de celular por indução;
• Bluetooth com conexão simultânea para até dois celulares;
• Duas entradas USB dianteiras, sendo uma Tipo A e outra Tipo C;
• Duas entradas USB traseiras para carregamento;
• Câmera de ré digital de alta resolução;
• Ar-condicionado digital automático;
• Chave presencial com sensor de aproximação;
• Sistema Easy Entry;
• Sistema Easy Start, com partida sem chave;
• Controle de velocidade de cruzeiro;
• Limitador de velocidade;
• Direção elétrica progressiva;
• Sensor de chuva;
• Sensor crepuscular;
• Farol alto adaptativo;
• Faróis Full LED;
• Lanternas traseiras Full LED.
O Easy Park, sistema de estacionamento automático, também faz parte do pacote da versão RS. O recurso auxilia o motorista durante as manobras de estacionamento, reduzindo o trabalho necessário para posicionar o veículo na vaga.
Segurança: pacote de assistência é um dos destaques
Na área de segurança, o Sonic RS apresenta um pacote bastante completo para sua categoria.
O modelo é equipado de série com seis airbags, sendo dois frontais, dois laterais e dois de cortina. O conjunto trabalha em conjunto com sistemas eletrônicos de segurança ativa.
Entre os principais recursos estão o alerta de colisão frontal, o frenagem automática de emergência, o alerta de detecção de pedestres e ciclistas e o alerta de ponto cego.
O sistema de alerta de colisão frontal monitora a área à frente do veículo e pode avisar o motorista sobre uma possível situação de risco. Em determinadas condições, o sistema de frenagem automática de emergência pode atuar para reduzir a gravidade de uma colisão ou ajudar a evitá-la.
O Sonic RS também conta com sistema auxiliar de permanência em faixa (LKA). O recurso identifica a aproximação do veículo em relação às marcações da pista e pode realizar pequenas correções na direção.
Há ainda o sistema auxiliar de permanência em faixa em emergência (ELK), que amplia a atuação do sistema em determinadas situações de risco.
O pacote inclui também:
• Controle eletrônico de estabilidade;
• Controle eletrônico de tração;
• ABS;
• Distribuição eletrônica da força de frenagem (EBD);
• Assistência de frenagem de urgência (PBA);
• Assistente de partida em aclive;
• Monitoramento da pressão dos pneus;
• Alerta de ponto cego;
• Alerta de colisão frontal;
• Frenagem automática de emergência;
• Detecção de pedestres e ciclistas;
• Assistente de permanência em faixa;
• Assistente de permanência em faixa em emergência;
• Sensores de estacionamento dianteiros, laterais e traseiros;
• Câmera de ré digital;
• Fixação Isofix e Top Tether para cadeirinhas infantis.
Na versão RS, os sensores dianteiros de estacionamento ajudam a completar o pacote de assistência para manobras, algo especialmente útil considerando o formato da carroceria e a visibilidade em determinadas situações.
Como é dirigir o Sonic RS?
É justamente ao volante que o Sonic RS consegue surpreender positivamente.
Apesar de não ser um esportivo de verdade, o carro apresenta uma condução agradável. O motor turbo trabalha de forma adequada com o câmbio automático de seis marchas, enquanto a direção elétrica progressiva facilita as manobras e deixa o veículo confortável para o uso urbano.
A posição de dirigir também contribui para a sensação de controle. O motorista encontra facilmente os principais comandos e tem à disposição um painel digital que facilita a visualização das informações.
Em trajetos urbanos, o Sonic se mostra ágil e fácil de conduzir. Já na estrada, o conjunto demonstra estabilidade e bom comportamento.
É um carro que transmite uma sensação positiva ao motorista. E esse é, talvez, um dos seus principais méritos.
A versão RS não entrega uma condução esportiva no sentido tradicional da palavra, mas consegue transformar o ato de dirigir em uma experiência prazerosa.
O ponto que decepcionou: autonomia de apenas 384 km
Se a experiência ao volante foi positiva, a autonomia foi o ponto que mais nos decepcionou durante o teste.
Com o tanque completamente abastecido e utilizando gasolina, o Chevrolet Sonic RS apresentou uma autonomia de apenas 384 quilômetros no nosso teste.
O resultado chama atenção, especialmente considerando a proposta de um SUV que pode ser utilizado tanto no ambiente urbano quanto em viagens.
É importante destacar que a autonomia real de um veículo varia conforme diversos fatores: estilo de condução, trânsito, velocidade média, utilização do ar-condicionado, carga transportada, condições da estrada e até mesmo temperatura ambiente.
Ainda assim, dentro das condições do nosso teste, os 384 km de autonomia com um tanque cheio de gasolina ficaram abaixo do que esperávamos para o modelo.
Na prática, quem utiliza o Sonic diariamente e percorre longas distâncias pode precisar abastecer com maior frequência. Para quem viaja regularmente, essa característica também deve ser considerada antes da compra.
É um ponto que acaba contrastando com a boa experiência ao volante: o carro é gostoso de dirigir, mas a necessidade de parar para abastecer com maior frequência pode tirar um pouco da praticidade no uso rodoviário.
Onde o Sonic RS se posiciona?
O Sonic ocupa uma posição estratégica dentro da linha Chevrolet.
Ele não é um SUV compacto tradicional como o Tracker, mas também está acima da proposta de um hatch compacto convencional. Sua carroceria com inspiração de SUV cupê permite que a Chevrolet entre em uma área do mercado que vem crescendo e que tem modelos como Volkswagen Nivus, Fiat Fastback, Renault Kardian e Citroën Basalt entre os principais concorrentes ou alternativas para o consumidor.
A versão RS tenta criar uma diferenciação adicional dentro desse segmento.
Enquanto o consumidor que compra um SUV tradicional pode priorizar espaço e robustez, quem olha para o Sonic RS tende a valorizar mais o design, a tecnologia, a conectividade e a personalidade do veículo.
O preço também coloca o modelo em uma faixa na qual o consumidor começa a encontrar opções de diferentes marcas e propostas. Por isso, o Sonic precisa convencer não apenas pelo espaço ou pelo motor, mas pelo pacote completo.
E é justamente nesse ponto que a versão RS se destaca.
Veredito
O Chevrolet Sonic RS é um modelo que consegue chamar atenção. Seu design é moderno, a versão RS acrescenta elementos visuais que deixam o carro mais agressivo e o pacote tecnológico é um dos pontos fortes do veículo.
A lista de equipamentos de segurança também merece destaque. A presença de seis airbags, alerta de colisão frontal, frenagem automática de emergência, detecção de pedestres e ciclistas, alerta de ponto cego, assistentes de permanência em faixa e sistemas de estabilidade e tração mostra que o Sonic está alinhado com uma nova geração de veículos que utiliza cada vez mais tecnologia para auxiliar o motorista.
Ao volante, o modelo também agrada. O conjunto formado pelo motor 1.0 turbo e pelo câmbio automático de seis marchas entrega uma condução confortável e prazerosa. É um carro que, mesmo sem ser um esportivo de verdade, consegue transmitir uma sensação agradável para quem gosta de dirigir.
Mas o consumidor precisa entender que a sigla RS, neste caso, representa principalmente uma proposta visual. O Sonic RS tem aparência esportiva, mas sua mecânica não foi desenvolvida para entregar desempenho de um carro esportivo.
A correia banhada a óleo é outro ponto que merece atenção e exige disciplina nas manutenções e no uso do lubrificante correto.
E há ainda a autonomia. Durante nosso teste, o Sonic RS percorreu 384 quilômetros com um tanque cheio de gasolina, resultado que consideramos decepcionante e que aparece como o principal ponto negativo da avaliação.
No fim, o Sonic RS é um carro que agrada pelo conjunto: visual atraente, bom nível tecnológico, pacote de segurança completo e uma condução prazerosa. Entretanto, a autonomia limitada e a necessidade de atenção especial à manutenção da correia banhada a óleo são fatores que devem entrar na conta de quem está pensando em comprar o modelo.
Para quem procura um SUV cupê compacto com visual esportivo, muita tecnologia e uma experiência agradável ao volante, o Sonic RS tem bons argumentos. Para quem espera esportividade mecânica ou uma grande autonomia entre abastecimentos, a história é diferente.
O modelo esta disponível em duas versões, a Premier que parte de R$ 134.990 e a RS que parte de R$ 140.990.
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