Justiça investiga casal suspeito de furtar prêmio da Mega-Sena
Moradores de Mato Grosso respondem por suspeita de furto de aposta vencedora de 29 milhões de reais levada de um cofre de casa lotérica em Sinop.
Tribunal de Justiça de Mato Grosso investiga Clarice Simon Picoli e Cladecir Jose Picoli pelo suposto furto de um bilhete premiado da Mega-Sena de 29 milhões de reais, crime ocorrido em agosto de 2023 em uma lotérica de Sinop. O caso veio à tona após a mulher, que trabalhava no local, retirar do cofre um bilhete impresso com defeito que continha as dezenas sorteadas, pedindo demissão logo em seguida para que o marido tentasse resgatar a fortuna de forma fraudulenta com abuso de confiança.
Descoberta da fraude na lotérica
Tudo começou quando uma cliente habitual compareceu à casa lotérica para registrar seus números da sorte. Durante o atendimento feito por Clarice, a máquina de impressão apresentou uma falha técnica e gerou um comprovante com defeito. Seguindo as normas da empresa, a funcionária refez o jogo corretamente para a consumidora, mas guardou o papel rasurado no cofre interno do estabelecimento em vez de cancelá-lo no sistema.
Dias depois, o sorteio oficial revelou que aquela combinação de dezenas era uma das grandes vencedoras do prêmio nacional de mais de 116 milhões de reais. Sabendo que o bilhete defeituoso e esquecido no cofre continha exatamente os números sorteados, a funcionária agiu rapidamente. Câmeras de segurança registraram o momento exato em que ela abriu a caixa forte, pegou o bilhete e pediu para uma colega cobrir seu turno sob o pretexto de resolver problemas bancários.
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Estabelecimento onde os jogos foram realizados. (Reprodução / Foto: Anderson Hentges)
Os proprietários do estabelecimento desconfiaram imediatamente quando a estatística apontou dois ganhadores milionários na mesma unidade pequena. Ao revisarem as gravações do circuito interno de monitoramento, os donos confirmaram a retirada não autorizada do papel. Logo no dia seguinte, a funcionária retornou acompanhada de seu marido para formalizar sua demissão, momento em que ele se declarou publicamente como o feliz proprietário da bolada.
Denúncia por abuso de confiança
Ministério Público estadual não hesitou e ofereceu uma denúncia formal contra o casal pelo crime de furto qualificado, agravado pelo abuso de confiança e pelo concurso de pessoas. A acusação enfatiza que a ex-empregada se aproveitou do livre acesso que mantinha aos bens internos da empresa para cometer o ato ilícito. Diante dos fortes indícios coletados pela Polícia Civil, a denúncia criminal foi aceita pelo Poder Judiciário.
Inconformados com o rumo do processo no âmbito estadual, os advogados dos investigados tentaram transferir a competência do julgamento para a esfera federal. O argumento da defesa baseava-se no fato de que o prêmio financeiro é custeado pela Caixa Econômica Federal, uma instituição pública da União. Os defensores também solicitaram a suspensão imediata da ação penal até que uma decisão cível determinasse quem era o dono legítimo do papel.
Superior Tribunal de Justiça, no entanto, rejeitou todos os pedidos da defesa de forma unânime. O ministro relator compreendeu que a vítima direta e imediata do furto foi a empresa lotérica privada e não a instituição financeira federal. Dessa forma, o magistrado decretou que o saque do dinheiro é apenas uma consequência posterior do delito, mantendo a investigação integral sob a responsabilidade das autoridades de Mato Grosso.
Defesa nega qualquer crime
Representantes legais do casal afirmam categoricamente que os clientes são inocentes e que não houve nenhuma conduta criminosa. Segundo a versão defendida por eles, o marido é o proprietário legítimo e comprou a aposta de forma totalmente legal, sem qualquer ligação com fraudes eletrônicas ou desvios de documentos do cofre. Eles alegam que o direito ao prêmio deve ser reconhecido pela lisura do portador.
Investigações apontam que o montante total de 29 milhões de reais correspondia a uma das quatro cotas divididas pelo país naquele concurso específico. Até o presente momento, os órgãos responsáveis não confirmaram se o casal conseguiu efetuar o resgate total dos valores junto ao banco oficial antes do bloqueio judicial. O sigilo sobre a movimentação bancária dos envolvidos segue mantido para preservar as apurações em andamento.
Casos dessa natureza despertam grande debate sobre a segurança interna e os protocolos de cancelamento de bilhetes inválidos no comércio de apostas. O processo penal agora seguirá os ritos tradicionais na comarca local, onde testemunhas e perícias de vídeo serão analisadas minuciosamente. Caso venham a ser condenados ao final do julgamento, os acusados poderão enfrentar penas severas de reclusão pelo crime cometido contra o estabelecimento.
Por Weslley Alves | Publicado em 01 de Julho de 2026
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