Zuckerberg no banco dos réus: o julgamento que pode mudar o Instagram
A Meta, empresa dona de redes sociais como Instagram e Facebook, começa a enfrentar, nesta terça-feira (18), um julgamento federal nos Estados Unidos. Uma coalizão de 29 estados americanos acusa a companhia de projetar suas redes sociais para estimular o uso compulsivo entre crianças e adolescentes, prejudicando a saúde mental deles.
O processo ocorre no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, e pode impor multas bilionárias à empresa. Além das penalidades financeiras, a ação judicial busca obrigar a Meta a alterar o funcionamento de recursos centrais de suas plataformas no país.
Estados pedem mudanças nas redes da Meta e multas bilionárias
As acusações alegam que a Meta desenvolveu recursos para incentivar a dependência digital entre menores de idade. Os procuradores-gerais sustentam que a empresa enganou o público ao apresentar suas plataformas como ambientes seguros. O processo também aponta que a companhia coletou e usou dados pessoais de crianças de forma irregular.
Para combater os impactos negativos, os estados exigem que a Justiça imponha restrições às redes sociais. As solicitações incluem a eliminação da rolagem infinita, o fim do botão de curtir para menores de 18 anos e o bloqueio de filtros de beleza. Os procuradores também pedem a proibição da reprodução automática de vídeos e o fim do sistema de contas múltiplas.

A Meta nega as acusações e afirma que as alegações dos estados não têm fundamento legal. A empresa argumenta que investe na proteção de adolescentes e que os acusadores não apresentaram provas de danos diretos aos usuários. Em comunicado, a companhia declarou que os governos estaduais tentam responsabilizá-la por desafios comuns a todo o setor de tecnologia.
O julgamento é presidido pela juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers e deve durar entre cinco e oito semanas. A decisão final caberá à magistrada, que contará com a avaliação consultiva de um júri formado por oito integrantes. Durante as audiências, estão previstos os depoimentos do CEO da Meta, Mark Zuckerberg, e do head do Instagram, Adam Mosseri.
A ação judicial se originou numa investigação começada em 2023, motivada por revelações de uma ex-funcionária da Meta em 2021. Documentos e depoimentos indicaram que a empresa conhecia os riscos de seus produtos para a saúde mental dos jovens, mas evitou aplicar mudanças para proteger seus lucros. Caso seja condenada, a companhia pode ter que pagar multas que variam entre US$ 200 bilhões (pouco mais de R$ 1 trilhão) e US$ 1,4 trilhão (R$ 7,28 trilhões).
O Olhar Digital pediu posicionamento para a Meta.
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