Rubens Barbosa diz que discurso de Lula na ONU teve recados a Trump

22 Setembro 2026 - 15:51
Atualizada: 48 Minutos Atrás
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Rubens Barbosa diz que discurso de Lula na ONU teve recados a Trump

O ex-embaixador do Brasil em Washington e presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), Rubens Barbosa, avaliou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou, durante seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a defesa da soberania brasileira e também direcionou parte de sua fala ao público interno.

A análise foi feita após o pronunciamento de Lula nesta terça-feira (22), durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. O presidente brasileiro defendeu o multilateralismo, criticou o enfraquecimento das instituições internacionais e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.

Recado sobre soberania

Segundo Rubens Barbosa, a declaração representa uma reafirmação da posição do governo brasileiro contra a existência de áreas de influência e contra interferências externas.

Para o diplomata, a fala também pode ser interpretada como uma resposta às posições adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à atuação internacional do país.

“Ele reitera a posição interna de defesa da soberania, de não aceitar essas áreas de influência”, avaliou Barbosa.

O ex-embaixador, porém, ponderou que ainda será necessário observar como as declarações dos dois presidentes irão se refletir nas relações entre Brasil e Estados Unidos.

Discurso também teve foco no público brasileiro

Na avaliação de Barbosa, uma parte importante do pronunciamento de Lula foi direcionada à política interna brasileira.

O diplomata afirmou que presidentes costumam utilizar a tribuna da ONU não apenas para tratar de assuntos internacionais, mas também para apresentar posições destinadas ao público de seus próprios países.

Segundo ele, Lula seguiu esse padrão durante o discurso deste ano, assim como Trump também utilizou parte de sua fala na ONU para abordar questões domésticas dos Estados Unidos.

A própria Agência Brasil informou que Lula tinha entre os principais pontos de sua agenda na ONU a defesa do multilateralismo, da reforma do Conselho de Segurança e da não interferência em assuntos internos dos países.

Relação com os Estados Unidos

Apesar das críticas e dos recados dirigidos indiretamente ao governo norte-americano, Rubens Barbosa afirmou que, em sua avaliação, o discurso de Lula não necessariamente agrava a relação entre Brasil e Estados Unidos.

O ex-embaixador considera que os dois países continuarão tendo canais de diálogo, especialmente nas áreas comercial, diplomática e econômica.

Para Barbosa, depois das eleições brasileiras, será necessário retomar negociações com Washington sobre diferentes temas, incluindo questões relacionadas à influência internacional dos Estados Unidos e aos interesses brasileiros.

O relacionamento entre os dois países já atravessa um período de tensão. Nos últimos dias, Trump voltou a fazer críticas ao governo brasileiro, enquanto Lula também respondeu publicamente a declarações do presidente norte-americano.

Itamaraty teria adotado tom mais cauteloso

Rubens Barbosa também avaliou que algumas das declarações feitas por Lula teriam um tom mais contundente do que aquele normalmente utilizado pelo Ministério das Relações Exteriores.

Na avaliação do ex-embaixador, o Itamaraty tradicionalmente busca preservar canais diplomáticos e evitar declarações que possam aumentar tensões entre governos.

Barbosa afirmou que referências à soberania, à ideia de que o Brasil não pertence à esfera de influência de outro país e outras manifestações feitas por Lula funcionam como mensagens políticas direcionadas aos Estados Unidos.

Outros temas abordados por Lula

O discurso do presidente brasileiro também tratou de uma série de questões internacionais. Lula criticou o funcionamento atual da ONU e afirmou que a organização vive um de seus momentos mais críticos desde 2003.

O presidente também voltou a defender mudanças no Conselho de Segurança das Nações Unidas e criticou o poder de veto das grandes potências.

A defesa do multilateralismo e da reforma das instituições internacionais já fazia parte da agenda anunciada pelo governo brasileiro antes da viagem de Lula a Nova York.

Cenário diplomático permanece em observação

Para Rubens Barbosa, as declarações de Lula e Trump devem ser analisadas dentro de um contexto mais amplo das relações internacionais e das negociações entre Brasil e Estados Unidos.

O ex-embaixador considera que o tom adotado pelos dois líderes faz parte da disputa política e diplomática atual, mas ressalta que os efeitos concretos dependerão das negociações e das decisões que serão tomadas posteriormente.

A participação de Lula na Assembleia Geral ocorreu em um momento de intensificação das tensões internacionais, com conflitos em diferentes regiões e discussões sobre o papel das grandes potências e das instituições multilaterais. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também alertou nesta terça-feira para o avanço de guerras, divisões geopolíticas e riscos associados à inteligência artificial.

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