O que é BRICS e como funciona o grupo econômico?

Entenda o que é o BRICS, conheça os países membros, saiba como o grupo influencia a economia e descubra o papel do Brasil.

31 Outubro 2026 - 10:22
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O que é BRICS e como funciona o grupo econômico?

O BRICS reúne alguns dos países mais importantes das economias emergentes e ganhou ainda mais destaque nos últimos anos com a entrada de novos integrantes. O grupo discute comércio, investimentos, desenvolvimento, tecnologia, energia e o equilíbrio de poder na economia mundial.

Mas afinal, o que é o BRICS? Ele pretende substituir o dólar? O Brasil ganha alguma vantagem ao participar desse grupo?

Apesar de ser frequentemente chamado de bloco econômico, o BRICS funciona de maneira diferente de organizações como a União Europeia. Ele é um espaço de cooperação política, diplomática e econômica, no qual os países procuram defender interesses comuns e ampliar sua influência internacional.

Neste artigo, você vai entender o que é BRICS e como funciona, quais países participam atualmente e por que as decisões do grupo podem ter reflexos na economia brasileira.

O que significa BRICS e como surgiu o grupo?

A sigla BRICS representa as iniciais dos nomes em inglês de cinco países que deram origem ao agrupamento:

  • B — Brazil: Brasil.

  • R — Russia: Rússia.

  • I — India: Índia.

  • C — China: China.

  • S — South Africa: África do Sul.

A expressão surgiu inicialmente como BRIC, em 2001, quando foi utilizada para identificar quatro economias emergentes com grande potencial de crescimento: Brasil, Rússia, Índia e China.

Em 2006, esses países começaram a desenvolver uma articulação política e econômica. A África do Sul entrou posteriormente, em 2011, transformando a sigla em BRICS.

Por que esses países decidiram se unir?

Os integrantes têm realidades políticas, culturais e econômicas bastante diferentes. Porém, compartilham alguns interesses importantes.

Entre eles estão:

  • Ampliar a participação das economias emergentes nas decisões mundiais.

  • Fortalecer o comércio e os investimentos entre os integrantes.

  • Buscar maior equilíbrio nas instituições financeiras internacionais.

  • Desenvolver projetos de infraestrutura e sustentabilidade.

  • Aumentar a cooperação em tecnologia, energia, saúde e educação.

Em termos simples, os países querem ter mais espaço nas decisões que influenciam a economia mundial.

O BRICS é um bloco econômico como a União Europeia?

Não exatamente. O BRICS não possui uma área de livre comércio comum, moeda única ou parlamento supranacional.

Também não tem um tratado constitutivo, orçamento próprio ou secretaria permanente como algumas organizações internacionais.

As decisões são construídas por consenso entre os membros. O grupo funciona principalmente por meio de reuniões de chefes de Estado, ministros, autoridades econômicas e grupos de trabalho.

Por isso, é mais correto entender o BRICS como um fórum de cooperação e articulação internacional, e não como um mercado comum.

Representação de uma cúpula internacional do BRICS, com líderes e bandeiras dos países participantes, simbolizando a cooperação política e econômica.

Quais países fazem parte do BRICS atualmente

Em outubro de 2026, o BRICS reúne 11 países membros. A expansão ampliou a presença do grupo na América Latina, África, Ásia e Oriente Médio.

Os integrantes são:

País

Região

Brasil

América do Sul

Rússia

Europa e Ásia

Índia

Ásia

China

Ásia

África do Sul

África

Arábia Saudita

Oriente Médio

Egito

África

Emirados Árabes Unidos

Oriente Médio

Etiópia

África

Irã

Oriente Médio

Indonésia

Sudeste Asiático

A Indonésia ingressou formalmente em janeiro de 2025, durante a presidência brasileira do grupo.

Brics+2

O que são os países parceiros do BRICS?

Além dos membros, existe uma categoria chamada países parceiros. Ela permite que outras nações participem de atividades e reuniões do agrupamento, conforme as condições definidas pelos integrantes.

Entre os países parceiros anunciados estão:

  • Belarus.

  • Bolívia.

  • Cuba.

  • Cazaquistão.

  • Malásia.

  • Nigéria.

  • Tailândia.

  • Uganda.

  • Uzbequistão.

  • Vietnã.

É importante não confundir parceiro com membro pleno. Os países parceiros não possuem automaticamente o mesmo status e participação dos onze integrantes nas decisões do grupo.

Brics+1

Qual é o peso do BRICS na economia mundial?

A força do grupo está principalmente na população, na produção econômica, nos recursos naturais e na capacidade de comércio de seus integrantes.

Segundo dados apresentados pelo governo da Índia em 2026, os onze membros representam aproximadamente:

  • 49,5% da população mundial.

  • 40% do Produto Interno Bruto (PIB) global.

  • 26% do comércio internacional.

Esses números ajudam a explicar por que o BRICS ganhou importância nas discussões sobre o futuro da economia mundial.

Pib

Qual é o papel do Brasil dentro do BRICS?

O Brasil é um dos cinco integrantes fundadores e possui importância estratégica dentro do grupo.

O país reúne características relevantes para a cooperação internacional: produção agrícola em larga escala, reservas de recursos naturais, matriz energética diversificada e uma economia com forte presença no comércio mundial.

Além disso, o Brasil tem uma posição geográfica importante na América do Sul e pode atuar como interlocutor entre países de diferentes regiões.

Brasil como fornecedor de alimentos e matérias-primas

O comércio brasileiro com os integrantes do BRICS tem peso significativo.

Entre os principais produtos exportados pelo Brasil estão:

  • Soja.

  • Minério de ferro.

  • Petróleo.

  • Carne bovina.

  • Açúcar.

  • Celulose.

A China tem papel especialmente importante nesse relacionamento, sendo um dos principais destinos das exportações brasileiras.

Em 2024, o comércio total do Brasil com os países do BRICS alcançou aproximadamente US$ 210,5 bilhões, segundo dados apresentados pelo Banco Central.

Banco Central do Brasil+1

O Brasil também participa das decisões políticas

A atuação brasileira não se limita ao comércio.

O país defende maior participação das economias emergentes nas instituições internacionais, além de cooperação em temas como desenvolvimento sustentável, combate à pobreza, transição energética e financiamento de infraestrutura.

Em 2025, o Brasil exerceu a presidência rotativa do grupo e sediou a 17ª Cúpula do BRICS, no Rio de Janeiro.

O lema da presidência brasileira foi "Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável".

Imagem representativa de uma reunião internacional realizada no Brasil, destacando o papel do país na articulação entre as economias emergentes.

Como as decisões do bloco impactam o bolso do brasileiro

O BRICS não determina diretamente os preços dos produtos no Brasil, mas suas decisões e acordos podem influenciar o comércio, os investimentos e as condições econômicas do país.

Quando os integrantes ampliam as relações comerciais, empresas brasileiras podem encontrar novos compradores, fornecedores e oportunidades de investimento.

Isso pode gerar efeitos sobre empregos, produção, exportações e preços de determinados produtos.

O comércio internacional pode gerar oportunidades

Imagine uma empresa brasileira que exporta alimentos para a China ou vende minério de ferro para outro integrante do grupo.

Se as relações comerciais melhorarem, essa empresa poderá encontrar mais oportunidades de venda e ampliar sua produção.

O resultado pode beneficiar diferentes setores da economia, desde produtores rurais até transportadoras, indústrias e trabalhadores.

O BRICS pode influenciar o preço dos produtos?

Sim, de maneira indireta.

O comércio com países do grupo envolve produtos importantes para o cotidiano brasileiro, como fertilizantes, combustíveis, máquinas e alimentos.

Se houver mudanças nas condições de compra, transporte, oferta ou pagamento desses produtos, os custos das empresas brasileiras podem ser afetados.

Por outro lado, dificuldades diplomáticas, conflitos internacionais ou barreiras comerciais também podem prejudicar as negociações.

O que significa reduzir a dependência do dólar?

Grande parte do comércio internacional utiliza o dólar como moeda de referência ou pagamento.

O BRICS discute formas de facilitar transações utilizando as moedas nacionais dos países envolvidos, como real, yuan, rublo e rupia.

Na prática, isso pode permitir que uma empresa brasileira e uma empresa chinesa encontrem mecanismos para realizar pagamentos sem precisar converter todas as operações em dólares.

O objetivo é reduzir custos, facilitar transações e ampliar as alternativas financeiras disponíveis.

Mas isso não significa que o dólar deixará de ser utilizado no comércio mundial.

O BRICS vai criar uma moeda própria?

Esse é um dos assuntos que mais geram dúvidas.

Até outubro de 2026, não existe uma moeda única oficial do BRICS. Na cúpula de 2026, representantes da Índia informaram que não havia proposta do grupo para criar uma moeda comum naquele momento.

O que está em discussão são mecanismos para facilitar pagamentos internacionais e ampliar o uso das moedas nacionais nas transações comerciais.

Uma moeda única exigiria acordos muito mais profundos entre países com economias, políticas monetárias e interesses diferentes.

O dólar pode perder força com o crescimento do BRICS?

O fortalecimento do BRICS pode contribuir para diversificar as relações financeiras internacionais e reduzir a dependência exclusiva do dólar em algumas transações.

Entretanto, o dólar continua sendo uma das principais moedas utilizadas no comércio, nas reservas internacionais e nos mercados financeiros.

A mudança desse cenário depende de vários fatores, como confiança nas moedas, estabilidade econômica, liquidez dos mercados e capacidade de realizar pagamentos internacionais.

Portanto, não é correto afirmar que o BRICS já está substituindo o dólar ou que uma mudança imediata acontecerá.

O Banco do BRICS (Novo Banco de Desenvolvimento)

Edifício moderno associado ao Novo Banco de Desenvolvimento, instituição financeira criada pelos países fundadores do BRICS para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável.

Um dos resultados mais importantes da cooperação entre os países fundadores foi a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido popularmente como Banco do BRICS.

A instituição foi criada em 2014, durante a cúpula realizada em Fortaleza, no Ceará, e começou suas operações em 2015.

Seu objetivo é financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em países emergentes e em desenvolvimento.

O que o Banco do BRICS financia?

O banco apoia projetos que podem contribuir para melhorar a infraestrutura e a qualidade de vida da população.

Entre as áreas financiadas estão:

  • Construção e modernização de rodovias.

  • Energia renovável.

  • Saneamento básico.

  • Transporte público.

  • Infraestrutura urbana.

  • Projetos de sustentabilidade.

  • Adaptação às mudanças climáticas.

A instituição pode oferecer empréstimos e outros instrumentos financeiros para governos e entidades habilitadas, conforme suas regras.

O Brasil pode receber recursos do banco?

Sim. O Brasil é um dos membros fundadores do NDB e pode receber financiamento para projetos aprovados pela instituição.

Entre as áreas de interesse estão mobilidade urbana, infraestrutura, energia limpa, saneamento e desenvolvimento sustentável.

Segundo o portal de dados do próprio banco, até 31 de dezembro de 2025, o Brasil tinha 26 projetos e aproximadamente US$ 7,47 bilhões em financiamentos aprovados.

O Banco do BRICS é igual ao Banco Mundial?

Não. As duas instituições financiam projetos de desenvolvimento, mas possuem estruturas, regras de governança e composição diferentes.

O Banco Mundial tem uma atuação global mais ampla e uma estrutura institucional própria. O NDB foi criado pelos países do BRICS para ampliar as fontes de financiamento disponíveis às economias emergentes e aos países em desenvolvimento.

As instituições podem atuar de forma complementar, financiando diferentes projetos e necessidades.

Quais são os desafios e as críticas ao BRICS?

Apesar de sua importância econômica, o grupo enfrenta desafios que dificultam a construção de uma atuação conjunta.

Os integrantes possuem interesses nacionais diferentes e, em alguns casos, mantêm divergências políticas e diplomáticas.

Países com interesses diferentes

Brasil, China, Rússia, Índia e os demais integrantes não possuem a mesma visão sobre todos os assuntos internacionais.

Existem diferenças relacionadas a:

  • Política externa e segurança.

  • Relações comerciais com os Estados Unidos e a Europa.

  • Conflitos e disputas territoriais.

  • Estratégias econômicas e monetárias.

  • Modelos de desenvolvimento.

Como as decisões dependem de consenso, essas diferenças podem tornar as negociações mais demoradas.

A expansão pode fortalecer ou dificultar o grupo?

A entrada de novos países amplia a população, o mercado consumidor e a influência internacional do BRICS.

Por outro lado, quanto maior o número de integrantes, mais difícil pode ser encontrar posições comuns em temas complexos.

O desafio será transformar o tamanho econômico do grupo em projetos concretos, acordos comerciais e resultados que beneficiem suas populações.

Conclusão: por que o BRICS é importante para o futuro do Brasil?

O BRICS representa uma tentativa de ampliar a participação das economias emergentes nas decisões que influenciam o mundo.

Para o Brasil, o grupo oferece oportunidades de comércio, investimentos, financiamento de infraestrutura e fortalecimento das relações diplomáticas.

Entretanto, participar do BRICS não significa abandonar relações com Estados Unidos, Europa ou outros parceiros comerciais. O desafio brasileiro é manter uma política externa equilibrada e aproveitar as oportunidades oferecidas por diferentes mercados.

Mais do que uma disputa contra o dólar ou uma tentativa de substituir instituições internacionais, o BRICS representa um espaço de negociação entre países que desejam ampliar sua influência econômica e política.

Conteúdo produzido pela equipe editorial de Internacional do Noticiar, com foco em geopolítica, economia mundial e acontecimentos que influenciam a vida dos brasileiros.

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Fontes oficiais e referências:

Perguntas frequentes

BRICS representa Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, os cinco países que deram origem ao agrupamento.

Em outubro de 2026, o BRICS possui 11 membros: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia.

O BRICS é um fórum de cooperação política, diplomática e econômica. Não funciona como uma união econômica com mercado comum ou moeda única.

Não existe uma moeda única oficial nem uma proposta de criação aprovada pelo grupo até outubro de 2026. O foco está em facilitar pagamentos internacionais com moedas nacionais.

O BRICS reúne economias emergentes para cooperação e articulação internacional. O G20 é um fórum mais amplo que reúne grandes economias desenvolvidas e emergentes.

A participação amplia oportunidades de comércio, investimentos, cooperação tecnológica e financiamento de projetos, além de fortalecer a presença diplomática brasileira.

O grupo busca diversificar as formas de pagamento internacional, mas o dólar continua sendo uma das principais moedas do mundo. Não existe previsão de substituição imediata.

É o Novo Banco de Desenvolvimento, instituição financeira criada pelos países fundadores para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável.

Pode contribuir indiretamente, caso o aumento do comércio e dos investimentos estimule empresas brasileiras, amplie a produção e gere novas oportunidades de trabalho.

A China possui a maior economia entre os integrantes e exerce grande influência comercial. Entretanto, as decisões oficiais do grupo são tomadas por consenso entre os membros.

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