Canetas emagrecedoras sem supervisão podem causar perda muscular

23 Agosto 2026 - 14:48
Atualizada: 2 Horas Atrás
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Canetas emagrecedoras sem supervisão podem causar perda muscular

Medicamentos podem ajudar no tratamento da obesidade

Os medicamentos popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras” têm sido utilizados no tratamento da obesidade e podem contribuir para a perda de peso. No entanto, o uso sem acompanhamento adequado pode estar associado à perda excessiva de massa muscular e à deficiência de vitaminas e outros nutrientes.

Em entrevista à Agência Brasil, o endocrinologista Marcio Mancini, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e coordenador do Departamento de Farmacoterapia da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), explicou os principais cuidados durante o tratamento.

Os medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 reduzem o apetite e retardam o esvaziamento do estômago. Com isso, algumas pessoas podem diminuir significativamente a quantidade de alimentos consumidos.

Quando a redução da ingestão é muito acentuada, pode haver dificuldade para atingir as necessidades de proteínas, vitaminas e outros micronutrientes.

Qualidade da alimentação é importante

Segundo Mancini, durante o tratamento é necessário prestar atenção não apenas à quantidade de comida consumida, mas também à qualidade nutricional das refeições.

“O foco principal não deve ser apenas reduzir o tamanho das porções, mas garantir que as pequenas refeições sejam ricas em nutrientes.”

O especialista cita como referência uma ingestão de aproximadamente 1,2 grama de proteína por quilo de peso por dia para indivíduos jovens e saudáveis. Para idosos ou pessoas com risco de sarcopenia, a quantidade mencionada chega a 1,5 grama por quilo por dia.

Essas necessidades, porém, podem variar de acordo com cada pessoa e devem ser avaliadas por profissionais de saúde.

Perda de massa muscular precisa ser acompanhada

Durante o emagrecimento, parte do peso eliminado pode corresponder à massa magra. Por isso, o acompanhamento da composição corporal pode ser importante.

Entre os recursos utilizados estão a bioimpedância e a densitometria de corpo inteiro. Testes de força de preensão manual, conhecidos como hand grip, também podem ajudar a avaliar a função muscular.

De acordo com o especialista, esse acompanhamento busca evitar que a perda de massa muscular represente uma parcela excessiva do peso eliminado.

Queda de cabelo e sintomas gastrointestinais

Mancini também aponta que pessoas que utilizam as chamadas canetas emagrecedoras sem supervisão adequada podem apresentar algumas queixas.

Entre elas estão queda e afinamento dos cabelos, além de sintomas gastrointestinais persistentes, como:

  • náusea;
  • constipação;
  • flatulência;
  • sensação de estufamento;
  • desconforto digestivo.

A intensidade e a duração desses sintomas devem ser comunicadas ao profissional que acompanha o tratamento.

Estratégias podem ajudar na alimentação

Para reduzir o risco de ingestão insuficiente de nutrientes, o especialista recomenda algumas estratégias alimentares.

Uma delas é distribuir a alimentação ao longo do dia, com refeições menores, frequentes e nutricionalmente densas.

Também é recomendado priorizar alimentos ricos em proteínas no início da refeição, antes que a sensação de saciedade provocada pelo medicamento se torne mais intensa.

Outra orientação é evitar alimentos muito gordurosos quando eles aumentarem as náuseas e manter uma ingestão adequada de fibras e líquidos, conforme orientação profissional.

Sinais de alerta

Alguns sinais devem ser observados durante o tratamento. A redução da força física ou da mobilidade pode indicar perda significativa de massa muscular e merece atenção, principalmente entre pessoas idosas, que apresentam maior risco de sarcopenia.

Alterações em exames laboratoriais também podem apontar deficiências nutricionais. Entre os nutrientes citados estão:

  • vitamina D;
  • potássio;
  • magnésio;
  • ferro;
  • vitamina B12.

Outro sinal de alerta é uma restrição alimentar excessiva, especialmente quando a pessoa perde completamente o interesse ou o prazer em comer. Segundo o especialista, essa situação pode indicar que a dose do medicamento precisa ser reavaliada.

Acompanhamento multidisciplinar é recomendado

Para Mancini, o tratamento deve contar, quando necessário, com uma equipe multidisciplinar.

“Por isso, é importante o trabalho de uma equipe multidisciplinar, com orientação do endocrinologista, do nutricionista e do educador físico no tratamento.”

O acompanhamento permite avaliar não apenas a evolução do peso, mas também a alimentação, a composição corporal, a atividade física e possíveis efeitos adversos.

Relato de paciente destaca acompanhamento

A mentora de mulheres Amanda Vila Nova relatou uma experiência positiva com o tratamento utilizando canetas emagrecedoras.

Segundo ela, o acompanhamento por especialistas e a reposição adequada de vitaminas fizeram parte do processo.

Amanda afirmou que conseguiu emagrecer sem apresentar queda de cabelo ou enfraquecimento das unhas.

O relato, porém, representa uma experiência individual e não significa que os resultados ou efeitos sejam iguais para todas as pessoas.

Uso deve ter orientação profissional

As chamadas canetas emagrecedoras incluem medicamentos que devem ser utilizados de acordo com indicação médica e acompanhamento adequado.

A perda rápida de peso não deve ser o único parâmetro considerado. Preservar a massa muscular e garantir a ingestão adequada de nutrientes também fazem parte de um tratamento seguro da obesidade.

Por isso, pessoas que utilizam esses medicamentos devem comunicar ao profissional responsável qualquer efeito adverso ou mudança significativa na alimentação, força física ou disposição.

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